segunda-feira, 13 de maio de 2013

A História da Música “Margarida” de Gutemberg Guarabira.


A música “Margarida”, composta pelo cantor e compositor baiano de Bom Jesus da Lapa Gutemberg Guarabira, foi criada a partir de uma brincadeira entre o autor e o também compositor Sidney Miller. 

Ambos se desafiaram a compor músicas com base em canções folclóricas, a exemplo do que fizera Dorival Caymmi com “Boi da cara Preta”. Sidney compôs “Marre de Cy”, Guarabira teve a felicidade de se lembrar de uma desilusão amorosa que teve quando tinha 16 anos e também do refrão de uma canção de roda francesa chamada "Seche tes Larmes, Marie” (Enxugue suas lágrimas, Maria).

Comento: a música foi consagrada ao obter o primeiro lugar na etapa nacional do II Festival Internacional da Canção, promovido pela Rede Globo, em 1967, suplantando favoritas que iriam entrar para história da MPB como: “Carolina” de Chico Buarque, que obteve o terceiro lugar, e o clássico “Travessia”, de Milton Nascimento, segunda colocada. Na fase internacional do Festival “Margarida” ficou com o terceiro lugar, o que rendeu furiosos protestos da torcida brasileira inconformada com o primeiro lugar da canção italiana “Per uma Dona”. 

O interessante é que Guarabira tentou convencer, sem sucesso, vários cantores para defender a música, dentre eles, Agnaldo Timóteo. Restou a alternativa de “reagrupar” o Grupo Manifesto, composto por amigos músicos dos tempos do bar do Careca, com destaque para Gracinha Leporace, futura esposa de Sérgio Mendes, escolhida a melhor intérprete da fase nacional, defendendo, no mesmo Festival, "Canção de esperar você" , do seu irmão Fernando Leporace. A escolha do  Manifesto veio a calhar - o grupo, já estava ensaiando a música para uma gravação de um disco pela Philips.

Guarabira, em uma entrevista a Júlio de Cesar Barros, teoriza para explicar a vitória da música:


"[...] até pode ser o caráter tranquilo e despojado da música a razão de ter vencido. Outro dia estive comum compositor concorrente no mesmo festival e brinquei que minha música só tinha vencido porque todas as outras eram tristes e a minha era a única aragem fresca da manhã em toda aquela noite de tempestades pela qual o Brasil passava na época. Além disso, hoje sei que o público interpretava em mim uma espécie de símbolo daquilo que os heróis populares geralmente representam. Eu era apenas um menino anônimo, 19 anos à época, chegado do sertão longínquo do rio São Francisco, sobrevivendo na cidade grande às custas de um emprego humilde de office-boy etc. Portanto, aquele apoio todo da população do Rio, milhares de pessoas enfeitadas de margarida fazendo um verdadeiro carnaval no Maracanãzinho e também por toda a cidade, onde a flor virou moda, tinha por trás uma força humana alheia à luta política que se desenrolava. Isso pegou todo mundo de surpresa. Inclusive eu, claro."

Embora vencedora, a música não obteve o sucesso comercial de “Carolina” e “Travessia’. Foi logo esquecida devido à falta de empenho da gravadora que, pega de surpresa com o resultado do Festival preferiu priorizar a divulgação de outros cantores e só lançou o disco do grupo Manifesto quatro meses depois do Festival. O fato provocou um desentendimento entre Guarabira e a gravadora que, posteriormente, levou a rescisão do seu contrato prejudicando, ainda mais, a carreira do cantor em plena fase pós-vitória. O cantor só viria a despontar, tempos depois, com a companhia de Sá e Zé Rodrix. 

Resumo da Opera: Margarida venceu, mas quem logo entrou para a História da MPB foi Milton Nascimento. Consagrou sua “Travessia” como uma das músicas mais admiradas da MPB e, de quebra, foi escolhido o melhor intérprete do Festival.

Ouça "Margarida" com o Grupo Manifesto e, no segundo vídeo, confira a bela regravação do Grupo Roupa Nova. Escolha sua versão.

Fonte
Mello,Zuza Homem de, A era dos festivais: uma parábola, Editora 34.
http://veja.abril.com.br/blog/passarela/entrevista/e-apareceu-o-guarabyra-3.

Grupo manifesto

Roupa Nova

Letra
Andei, terras do meu reino em vão
Por senhora que perdi
E por quem fui descobrir
Não me crer mais rei e aqui me encerrei
Sou cantor e cantarei
Que em procuras de amor morri, ai
Dor que no meu tempo dói
Que destróes assim de mim
Bem sei que eu achei enfim
E que adianto a dor
Mas me queimou
Pois por não saber de amor

Ela ainda rainha está
E ela está em seu castelo, olê, olê, olá
E ela está em seu castelo, olê, seus cavaleiros

Ora peçam que apareça
Pois por mais que eu ofereça
Mais que evita essa senhora
Eu já fui rei, já fui cantor

Vou ser guerreiro, um perfeito cavaleiro
Armadura, escudo, espada
Pra seguir na escalada,
Belo motivo, é por amor que vou lutando
E pelas pedras do castelo
Como eu já vou retirando
E retirando uma pedra, olê, olê,olá
Mais uma pedra não faz falta, olâ, seus cavaleiros
Que ainda correm pelo mundo
Ouçam só por segundo, eu acabo de vencer
Retirei pedras de orgulho, majestades,
Deixei todas de humildades, de amores sem reinado
Ela então se me rendeu
Eu já fui rei, já fui cantor, já fui guerreiro
E agora enfim sou companheiro
Da mulher que apareceu

E apareceu a Margarida, olê, olê, olá
E apareceu a Margarida, olê, seus cavaleiros
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