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sábado, 12 de julho de 2014

Belos Poemas Que Viraram Músicas. "Bom dia Tristeza".



No final da década de 1950, uma parceria improvável na música brasileira resultou em uma memorável obra. Vinícius de Moraes sequer conhecia Adoniran Barbosa, mas um desses felizes acasos da vida iria nos presentear com “Bom dia tristeza”, uma bela música interpretada por grandes nomes da MPB, como Maysa, Chico Buarque, Elis Regina, Altemar Dutra, Aracy de Almeida,Roberto Ribeiro, Jair Rodrigues, Elizeth Cardoso, dentre tantos outros.

Os versos foram escritos pelo poetinha a pedido de Aracy de Almeida, em 1957. Há, contudo, diversas versões para a gênese da poesia. Uns afirmam que teria sido escrita em Paris, outros dizem que foi em um bar, no Rio de Janeiro, o texto teria sido em um guardanapo. Todos afirmam, entretanto, que a letra foi entregue a Aracy, após o poeta ter dito que ela fizesse o que quisesse com o poema. O certo é que Aracy entregou a obra para Adoniran Barbosa, seu velho amigo, que colocou a música. Dessa forma, um poema mais adequado ao estilo de Antônio Maria, amigo comum de Vinícius e de Aracy, terminou, surpreendentemente, nas mão de um sambista da cidade que o poetinha - numa escorregada retórica que o levou a se penitenciar por um bom tempo - chamaria de “túmulo do samba”.

Dando sequencia a série de casos curiosos sobre a música, surgiu a polêmica lançada pelo cantor Noite Ilustrada que afirmou ser ele o autor da melodia e que Adoniran não havia dado os créditos, fato que não conseguiu provar e que foi negado veementemente pelo autor de “Saudosa Maloca”.

Embora a música tenha tido uma grande repercussão, Vinícius pouco falou sobre seu poema, a maioria dos registros da história da extraordinária parceria foi feita por Adoniran. O mais famoso relato foi durante uma divertida entrevista dada a Elis Regina, em 1965, no famoso programa “O Fino da Bossa”, apresentado na TV Record, veja a transcrição de um trecho da conversa do sambista paulista.

"Elis: Como é que você se tornou parceiro de Vinicius de Moraes sem sequer conhecê-lo?
Adoniran: Fácil, é fácil, fácil. A Aracy de Almeida, que é muito amiga dele (ele estava em Paris nessa ocasião, na UNESCO) recebeu uma carta dele e dentro da carta veio assim essa letra, dois versinhos, e dizia embaixo “Aracy, faça o que você quiser com esses versos”.
Elis: Então a Aracy pegou e deu pra você.
Adoniran: Então eu tava pertinho dela, não é? E ela era ligação minha, não é? Ela disse “Ô, Adoniran, bota a música aí”.
Elis: Quer dizer que a letra é de Vinicius de Moraes e a melodia é que é sua.
Adoniran: A letra é de Vinicius e a musiquinha é minha.

Elis, por sinal, cantou a música na ocasião, utilizando recursos vocais bem diferente do seu estilo, mas parecido com o da sua desafeta, Maysa."

Em “Boa dia tristeza”, Vinícius, na sua genialidade, transforma o sentimento em uma espécie de ser animado, prosopopeia para transmutar a tristeza em uma amiga confidente a quem não via há um bom tempo. Para a “amiga”, quem sabe amargurado por uma das suas infelicidades momentâneas decorrentes de mais um dos vários rompimentos amorosos ou mesmo a procura de uma maior proximidade com a tristeza - talvez a maior das inspiradoras dos poetas – trava, entre uma e outra dose, um comovente dialogo. Nesse interessante reencontro, o poeta, ao final do verso, confessa suas amarguras, usando figuras de linguagens de rara beleza, recolocando a interlocutora em seu devido lugar – “Chorar de tristeza tristeza de amar”. Adoriran, por sua vez, parece ter entendido o sentimento do poetinha e, com rara felicidade, colocou uma música em ritmo melódico mais do que adequado ao tema - triste, melancólica, bem ao tradicional estilo dos sambas-canções de dor de cotovelo bastante populares à época.

Vá no You Tube, lá tem versões da música para todo gosto. Aqui, ouça a divertida entrevista de Adoniran dada a Elis Regina. Depois, a interpretação de Aracy de Almeida - por sinal a primeira gravação da música, realizada em 1957. Complemente a viagem poética ouvindo as versões de Maysa, em uma apresentação de 1959. Maria Bethânia, Cauby Peixoto também cantaram a música, o último acompanhado pelo inesquecível Dominguinhos, por fim, confira a interpretação do próprio Adoniran. É hora de se deliciar com a qualidade dos versos. Escolha a sua melhor versão.








Letra:

Bom Dia Tristeza



Bom dia tristeza
Que tarde tristeza
Você veio hoje me ver
Já estava ficando até meio triste
De estar tanto tempo longe de você

Se chegue tristeza
Se sente comigo
Aqui nessa mesa de bar
Beba do meu copo
Me dê o seu ombro
Que é para eu chorar
Chorar de tristeza
Tristeza de amar


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domingo, 18 de agosto de 2013

Belos Poemas que Viraram Músicas. Brisa – Manuel Bandeira

Brisa, por definição, é um vento próximo da superfície do mar. Esse vento agradável é muito comum no nordeste brasileiro e que ainda hoje, em pequenas cidades do nordeste, leva famílias para calçadas para desfrutar do agradável momento de frescor noturno, tudo em meio a prosas intermináveis.

Brisa também é um curto e belo poema do pernambucano Manuel Bandeira (Recife, 19 de abril de 1886 — Rio de Janeiro, 13 de outubro de 1968), publicado em 1948, no livro Belo, Belo:


                                     Brisa
Vamos viver no Nordeste, Anarina
Deixarei aqui meus amigos, meus livros, minhas riquezas, minha vergonha.
Deixarás aqui tua filha, tua avó, teu marido, teu amante.
Aqui faz muito calor.
No Nordeste faz calor também. Mas lá tem brisa:
Vamos viver de brisa, Anarina.

A respeito do poema, o também poeta pernambucano João Cabral de Melo Neto, perguntado o que o assustava no Rio de Janeiro, respondeu, citando a obra de Bandeira como exemplo:

As distâncias, o movimento, o tráfego e o calor. É aquele calor desagradável… O calor aqui no Rio é abafado. O de Pernambuco é um calor ao ar livre. Até há um poema de Manuel Bandeira: “Vamos viver de brisa”. Faz calor no Nordeste, mas lá existe brisa. O calor do Rio é um calor sem brisa”.

As palavras de João Cabral talvez ajudem a entender o pensamento de Bandeira. Entretanto, fazer uma análise de um poema é sempre subjetivo. Vejo na obra do poeta uma busca pelas coisas simples da vida, a renúncia à agitação da cidade grande e ao excesso de responsabilidade. No poema, o poeta propõe uma volta às suas origens, ao torrão natal, uma saudosa homenagem à região onde passou parte da sua infância, tantas vezes relatadas em suas crônicas e poemas.

A genialidade de Bandeira dispensa as rimas, a rigor, inexistente em "Brisa". A aliteração provoca sonoridade nas palavras e se basta para perceber a busca pela vida tranquila, de forma desprendida. A sensação de liberdade extrema sentida com a lufada litorânea no rosto é traduzida com o uso de uma expressão popular no último verso “Vamos viver de brisa”- uma utópica vida ao Deus-dará, aspirada e nunca vivida por tantos.

Quanto ao nome Anarina, não tenho maiores referências, talvez apenas uma licença poética, um nome criado em razão da estética do poema...Há que sugira uma junção de nomes: Ana Carolina? Ana Catarina? O site http://www.significado.origem.nom.br, sem entrar em muitos detalhes, informa que o nome Anarina é de origem hebraica e significa “O Senhor Prometestes".

Pela musicalidade da sua obra, Manuel Bandeira é um dos poetas preferidos dos compositores brasileiros - talvez seja o escritor

com mais poemas musicados no Brasil. Com Brisa não foi diferente. O poema foi musicado pelo compositor Paquito e gravado, em 1996, por Maria Bethânia, no álbum “Âmbar”, produzido Guto Graça Mello. O baiano Paquito, em parceria com Jota Velloso, produziu dois respeitados discos de samba baiano: Diplomacia, de Batatinha que venceu o Prêmio Sharp de melhor disco de samba de 1999, que contou, além de Batatinha, com a participação de Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil e Maria Bethânia. O Outro disco, Humanenochum, de Riachão foi indicado para o Grammy latino de 2001 também com convidados ilustres como Caetano Veloso, Tom Zé, Armandinho, Carlinhos Brown e Dona Ivone Lara.

Ouça a música.



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segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Belos poemas que viraram músicas. Medroso de Amor.

 Na bela Paris, em algum dia do ano de 1894, o pianista cearense Alberto Nepomuceno (1864 – 1920) musicou o poema “Medroso de Amor”, de seu conterrâneo, o poeta e folclorista Juvenal Galeno (1836-1931). Na união das competências de dois nacionalistas o resultado não poderia ser outro: a brasilidade da obra.


Considerado um dedicado observador dos costumes do interior, do sertão, das praias, Juvenal Galeno se considerava um poeta popular e se destacou pelo pioneirismo na literatura do Ceará. Seu livro de estreia, “Prelúdios Poéticos”, editado em 1856, é considerado o primeiro livro da literatura cearense e o marco inicial do Romantismo no Ceará. A peça “Quem com ferro fere com ferro será Ferido”, Única obra de Juvenal Galeno para o teatro, é considerada a primeira peça teatral escrita, produzida e encenada no ceará. O poeta também é considerado o pioneiro do folclore no Nordeste.

Fala-se - versão contestada por alguns pesquisadores - que a estética de sua obra, com forte sabor popular, foi orientação do poeta Gonçalves Dias que havia se hospedado na casa dos pais de Juvenal Galeno e de quem se tornou amigo. São poesias simples, com sotaque interiorano, que demonstrava profunda preocupação com a sorte do seu povo, fruto do forte engajamento político do cearense. Também se observava lirismo e musicalidade em sua obra, como pode ser observado no poema “Cajueiro Pequenino”: 

Cajueiro Pequenino,
carregadinho de flor.
À sombra das suas folhas,
venho cantar meu amor.

Em “Medroso de Amor”, um poema aparentemente ingênuo, até brejeiro, Juvenal Galeno realça as virtudes de um tipo genuinamente brasileiro - a moreninha - que habitava o imaginário popular da época com seu poder de seduzir, definitivamente, pelo sorriso meigo e olhar apaixonado. 

Moreninha, não sorrias
com meiguice... com ternura
(Não sorrias com meiguice)
Este riso de candura
Não desfolhes, não sorrias
Que eu tenho medo d´amores
Que só trazem desventuras.
Moreninha! Não me fites
Como agora, apaixonada
(Não me fites como agora, moreninha)
Este olhar toda enlevada
Não desprendas, não me fites
Pois assim derramas fogo
Em minh´alma regelada.
Moreninha! (Moreninha,) vai-te embora
Com teus encantos maltratas;
(Moreninha, vai-te embora...)
Eu fui mártir das ingratas
Quando amei... Oh, vai-te embora!
Hoje fujo das mulheres
Pois fui mártir das ingratas.

O poeta ficou cego em 1908, mas nunca abandonou a literatura. Teve uma vida longa, faleceu em 7 de março de1931, de uremia, aos 95 anos.

Denominada Opus 17 n°1, a melodia de Nepomuceno para “Medroso de Amor”, reflete o romantismo de Juvenal e, ao ouvi-la, percebe-se, claramente, a simpatia que o maestro cearense nutria pelos ritmos populares brasileiros da época, como o maxixe, o tango brasileiro e o choro. Embora fosse músico erudito, Nepomuceno defendia com unhas e dentes a língua portuguesa. Ficou famosa uma frase supostamente a ele atribuída - “Não tem pátria um povo que não canta em sua língua”. 

Medroso de Amor” se destaca, na vasta obra de Nepomuceno, por ser uma das suas primeiras incursões no universo popular. O compositor daria novas demonstrações da sua paixão pelos ritmos populares ao convidar Catulo da Paixão Cearense e Ernesto Nazareth para participar das apresentações musicais da Exposição Nacional realizada em 1908. Em 1904, organizou os primeiros recitais com canções em língua portuguesa e inovou ao lançar a obra “O Garatuja” sobre texto de José de Alencar. Aquilo que foi, nas palavras de Manuel Negwer, “a primeira ópera inconfundivelmente brasileira em que ritmos nativos como lundu e maxixe são utilizados”. 

Em “Medroso de Amor”, o músico cearense parece ir buscar elementos rítmico-melódico da modinha, estilo musical romântico bastante popular no Brasil na metade do século XVIII e que teve como grande nome Domingos Caldas Barbosa, um descendente de escravo que fez grande sucesso na corte portuguesa do século 18. A música chegou a merecer análise de Mário de Andrade em “Ensaio Sobre a Música Brasileira”. 

Guida Borghoff e Luciana Monteiro de Castro, da UFMG, em uma breve análise, no site “Canções Brasileiras obras para Canto e Piano”, um guia de consulta sobre obras brasileiras para canto e piano, destacam: “Das canções escritas em 1894, primeiras canções de câmara escritas em português, esta é a que mais elementos nacionais apresenta melodias em frases curtas à maneira das modinhas e frases longas, associando versos, à maneira das serestas. Além destes aspectos melódicos, a presença de síncopes em um andamento 'presto' levou um crítico musical a referir-se à obra como um ´lundu transfigurado”.

A inovação musical de Alberto Nepomuceno na busca da nacionalização da música erudita não ficou imune aos críticos mais puristas. Oscar Guanabarino, um músico com sólida formação em piano e também uma espécie de feroz crítico musical da época, teceu violentos ataques contra aquilo que considerava uma “tentativa inconcebível de alteração da estética da música clássica mundial”. Outro defensor da música brasileira também seria alvo dos ataques de Guanabarino: Villa-Lobos viria a reger em 1921, uma versão orquestral de “Medroso de Amor”.

Segundo o ‘Catálogo geral de obras de Alberto Nepomuceno’, editado pela FUNARTE, a primeira audição de 'Medroso de amor' foi em um concerto realizado no dia 4 de agosto de 1895, no Instituto Nacional de Música, Rio de Janeiro, na voz de Leopoldo Noronha, acompanhado ao piano pelo próprio Nepomuceno. A obra não consta do programa impresso e nem dos comentários da imprensa realizados por críticos da época. 

Em 1968, Nara Leão gravou Medroso de Amor, apoiada em arranjos de Rogério Duprat, uma versão modernizada, sem as impostações líricas da maioria das versões interpretadas por sopranos.
Ouça a versão de Nara Leão e a mais tradicional representada pela soprano Patrícia Endro acompanhada por Dante Pignatari.





Fontes:
Pignatari,Dante; Canto da Língua: Alberto Nepomuceno e a Invenção da Música Brasileira - Tese de mestrado, 2009.
Negwer, Manuel; Villa-Lobos – O Florescimento da música brasileira, Editora Martins Fontes,2009
Canções Brasileiras -guia de consulta sobre obras brasileiras para canto e piano, www.grude.ufmg.br/cancaobrasileira Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Belos Poemas Que Viraram Músicas – Fanatismo.

Da série “Belos Poemas Que Viraram Música” o destaque de hoje é Fanatismo, soneto da poetisa portuguesa Florbela Espanca. O poema foi musicado por Fagner e gravado no disco Traduzir-se de 1981.

Fanatismo é um soneto (dois quartetos e dois tercetos) publicado pela primeira vez no “Livro de Sóror Saudade”, uma coletânea de 36 sonetos, editado em janeiro de 1923, cuja primeira edição de 200 livros esgotou-se rapidamente.

 O poema foge, um pouco, dos argumentos melancólicos da maioria das suas poesias, embora também se perceba componentes de dor e sofrimento. Desta vez, a poetisa optou por escancarar todo o seu amor e lirismo.

A paixão, nesta poesia, é levada ao extremo ("[...] Podem voar mundos, morrer astros, Que tu és como Deus: princípio e fim”), justificando, plenamente, o título. O amor de Florbela, em fanatismo é arrebatador. É tratado de forma hiperbólica, possessiva e, ao mesmo tempo, submissa, resultado, talvez, da eterna procura de um amado (“[...] a mesma história tantas vezes lida [...]”). 

Desde jovem, Florbela já dava sinais de onde iria buscar suas inspirações: as coisas da alma e seus conflitos internos, decorrência de uma vida marcada por desilusões, decepções e tragédias pessoais, temas que foram transportados de forma comovente para suas obras. Sua mãe, Mariana Toscana, não podia ter filhos. Florbela e Apeles, seu irmão mais novo, embora criados por Mariana Toscana, são frutos do relacionamento extraconjugal do pai, João Maria Espanca, com Antônia da Conceição Lobo. 

Florbela de Alma Conceição Espanca, (1894-1930), nasceu em Vila Viçosa e faleceu tragicamente em Matosinhos - Portugal: cometeu suicídio ainda jovem, no dia do seu aniversário, 8 de dezembro. A trajetória da, talvez, maior sonetista de Portugal não foi comum: sua mãe de criação morreu jovem aos 29 anos. O irmão querido, Apeles, faleceu em um trágico desastre de avião. A curta vida da escritora, ainda foi marcada por vários casamentos desfeitos. 

Tantos acontecimentos em tão pouco tempo de vida, aliado a um estilo literário único e comportamento não usual para a época, transformaram a poetisa portuguesa em um verdadeiro mito, chegando a se tornar símbolo de movimentos feministas. 

Na verdade, Florbela era poetisa de extremada sensibilidade, jovem triste que falava da dor e do amor sem economia na criatividade dos versos. Ser poeta, para Florbela, “é ser mais alto, é ser maior dos que os homens...” como ela deixa claro no soneto “Ser Poeta”.

Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Aquém e Além Dor!

É ter de mil desejos o esplendor
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!

É ter fome, é ter sede de Infinito!
Por elmo, as manhãs de oiro e de cetim...
É condensar o mundo num só grito!

E é amar-te, assim, perdidamente...
É seres alma, e sangue, e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente!

Já o autor da música, o cantor e compositor Fagner, é um mestre em musicar poemas. A grande maioria das belas poesias musicadas pelo cearense se tornou grande sucesso. Já passaram pelo seu violão, por exemplo, poemas da lavra de Cecília Meireles, Patativa do Assaré, Ferreira Gullar, dentre outros grandes nomes. Um dos Posts desta série, por sinal, remete a outra poesia musicada por Fagner: o poema “Traduzir-se” de Ferreira Gullar (acesse aqui).

Uma curiosidade: em Fanatismo, ao final da música, o compositor acrescentou trechos de Meu Querido, Meu Velho, Meu Amigo, música que Roberto Carlos fez para o pai, uma licença poética para homenagear o Rei. O disco Traduzir-se foi gravado na Espanha por sugestão de Joan Manuel Serrat. Sobre a inclusão de Fanatismo no disco o cantor declarou:

“[...] é um disco que marcou demais. Até hoje o pessoal do mundo do disco fala dele [...] foi disco de ouro, lançado no mundo inteiro. [...] Este disco tinha uma idéia fechada, onde coube o 'Fanatismo' porque, na época, eu tinha que ter uma música em português.

A gravadora não entendeu e eu sabia que 'Años' iria tocar (música em espanhol que teve a participação de Mercedes Sosa), como aconteceu. Me pediram para gravar uma música só comigo cantando em português. Foi onde conheci o trabalho da Florbela Espanca, o Fausto me deu um livro lá em Portugal na volta desta viagem da Espanha. Fiz estas músicas, cheguei aqui e gravei. Deu para acoplar ainda no disco. Mas também foi uma música feita com a influência das coisas da região, veio no clima, não se afastou muito da idéia deste disco''
. (*)
(*) trechos de entrevista publicada em Http://www.nordesteweb.com/not01_0304/ne_not_20040305d.htm

Clique no marcador "Belos poemas que viraram músicas", à direita, para ver outros post sobre poemas musicados. 

Fanatismo


Minh’alma, de sonhar-te, anda perdida
Meus olhos andam cegos de te ver !
Não és sequer a razão do meu viver,
Pois que tu és já toda a minha vida !


Não vejo nada assim enlouquecida ...
Passo no mundo, meu Amor, a ler
No misterioso livro do teu ser
A mesma história tantas vezes lida !


"Tudo no mundo é frágil, tudo passa ..."
Quando me dizem isto, toda a graça
Duma boca divina fala em mim !


E, olhos postos em ti, digo de rastros :
"Ah ! Podem voar mundos, morrer astros,
Que tu és como Deus : Princípio e Fim ! ..."


Livro de Soror Saudade (1923)
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sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Belos Poemas Que Viraram Músicas – Soneto XIII - Olavo Bilac.

Da série “Belos Poemas Que Viraram Músicas” viajamos até o final do século XIX, para buscar a poesia de Olavo Bilac. O Soneto XIII, extraído do Poema Via Láctea, título de um conjunto de 35 sonetos de uma antologia do poeta parnasiano, publicado no livro Poesias, em 1888 - uma verdadeira obra-prima.

Inspirada nos versos de Bilac, a vocalista do Kid Abelha, Paula Toller e seu companheiro de grupo, o saxofonista e violonista George Israel, colocaram a música no soneto, também conhecido como Ouvir Estrelas. A música foi gravada pelo Kid Abelha, no álbum AUTOLOVE , de 1998,portanto, 110 anos após o grande momento de inspiração do poeta.

Embora os músicos, talvez por necessidade musical, tenham alterado e até mesmo suprimido trechos do poema, a bela voz de Toller compensa a licença poética em relação ao texto original da obra de Bilac. O poema, com certeza, é um dos mais famosos da história da poesia brasileira e, talvez, pelo seu lirismo levado ao extremo, é apreciado e declamado de cor por muitos brasileiros.

Uma curiosidade: além da versão dos dois componentes do Kid Abelha, um trecho do poema foi incluído na música Divina Comédia Humana, do compositor Belchior. Quem não se lembra do refrão? "Ora Direis ouvir estrelas, certo perdestes o senso, e eu vos direi, no entanto"...E o compositor do Ceará complementava com versos da sua própria lavra “enquanto houver espaço tempo e algum modo de dizer não eu canto”.

Olavo Braz Martins dos Guimarães Bilac nasceu no Rio de Janeiro em 16 de dezembro de 1865, onde também faleceu, em 28 de dezembro de 1918, aos 53 anos. Era conhecido pelos seus hábitos boêmios, desistiu da faculdade de Medicina no 4° ano e a de Direito no 1°. Na verdade, sua paixão era a palavra, se dedicando ao jornalismo e a literatura, sendo reverenciado como um dos mais legítimos parnasianos brasileiros. Foi um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras, é o autor da letra do Hino da Bandeira, algumas de suas principais obras foram: Poesia (1888), dividida em “Panóplias”, “Sarças de fogo”, “Via Láctea” e a poesia infantil “Tarde”.

Paula Toller optou, desde 2007, pela carreira solo, o mesmo aconteceu com seu parceiro George Israel. O Grupo Kid Abelha, foi um grande sucesso nos anos 80 e 90, por enquanto, está desativado. De acordo com o site da Banda, na aba de Agenda, está o seguinte comunicado:

“No momento, o Kid Abelha faz uma pausa em suas atividades regulares e seus integrantes se dedicam a projetos individuais. Paula Toller, George Israel e Bruno Fortunato, trabalham artisticamente não só suas composições e seus lançamentos, mas também seu tempo, e por essa razão decidiram fazer um período sabático e de planejamento de futuros trabalhos.
Qualquer nota sobre o fim da banda é falso, mera especulação sensacionalista”.

O período sabático a que se refere a nota iniciou-se em 2007.

para mais textos e vídeos sobre poemas que foram músicados clicar no marcador "Belos poemas que viraram músicas"

Soneto XIII
Olavo Bilac
"Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso!" E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto...

E conversamos toda a noite, enquanto
A via-láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.

Direis agora: " Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?"

E eu vos direi: Amei para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas".
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sábado, 7 de novembro de 2009

Canção Amiga – Carlos Drummond de Andrade e Milton Nascimento.




Belos Poemas que Viraram Músicas.

A escolha de hoje para “Belos Poemas que Viraram Músicas" é a bela “Canção Amiga", poema do Mineiro Carlos Drummond de Andrade. Os versos foram musicados por Milton Nascimento - o carioca mais mineiro da MPB. A música foi gravada no disco Clube da Esquina 2, EMI, de 1978.

Comento: Canção Amiga, um poema apaixonante de apenas cinco estrofes, foi publicado em 1948, no livro “Novo Poemas”, da José Olímpio. A respeito do poema o site http: //www.algumapoesia.com.br, com competência , assim o define:

"Canção Amiga é um poema no qual Drummond expressa o ideal de construir uma poesia capaz de despertar a consciência dos adultos e servir de canção de ninar para as crianças."

“... Eu preparo uma canção
que faça acordar os homens
e adormecer as crianças..."

A comovente melodia criada pelo autor de “Coração de Estudante” valoriza ainda mais o belo texto de Drummond. Sua melodia se alinha totalmente com os versos do poeta, para alguns se desenvolve como uma espécie de canção de ninar e, paradoxalmente, para outros, como um lamento, uma necessidade imperativa de “acordar os homens. Todos estão certos, Drummond, na poesia, atua como uma fada: ninando crianças e despertando adultos para a necessidade de uma reflexão.

Uma curiosidade sobre Drummond e o poema foi a circulação, em 1989, pouco mais de um ano após sua morte, da cédula de 50 cruzados novos, que trazia em um dos lados a efígie do grande poeta mineiro e no outro, justamente o poema Canção Amiga. Pena que a cédula, vítima da hiperinflação que dominava o cenário econômico do Brasil na época, rapidamente saiu de circulação, em outubro de 1992. A espiral inflacionária também iria levar para as mãos de colecionadores a nota de 100 cruzados novos que estampava outro mito da poesia brasileira - Cecília Meireles.

Drummond nasceu em Itabira, em 1902, e nos deixou em 1987, portanto, viu sua poesia ser imortalizada como canção na voz de Milton.

Já o cantor e compositor de Travessia, para nossa alegria, após uma grave enfermidade, decorrente de uma diabete, contraída em 1997, recuperou-se e continua nos brindando com o timbre de sua voz maravilhosamente afinada, entremeadas por belos falsetes, estilo que levou Elis Regina a declarar:

“Se Deus cantasse, seria com a voz de Milton”

Para ver outros poemas musicados clique no marcador: “Belos Poemas Que Viraram Músicas”.
Para ler sobre curiosidades da música clique no marcador: "Curiosidades da Música Popular Brasileira".




Canção Amiga
Milton Nascimento
Carlos Drummont de Andrade



Eu preparo uma canção
em que minha mãe se reconheça,
todas as mães se reconheçam,
e que fale como dois olhos.
Caminho por uma rua
que passa em muitos países.
Se não me vêem, eu vejo
e saúdo velhos amigos.
Eu distribuo um segredo
como quem ama ou sorri.
No jeito mais natural
dois carinhos se procuram.
Minha vida, nossas vidas
formam um só diamante.
Aprendi novas palavras
e tornei outras mais belas.
Eu preparo uma canção
que faça acordar os homens
e adormecer as crianças.
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sábado, 17 de outubro de 2009

Rosa de Hiroxima – Vinicius de Moraes e Gerson Conrad – Belos Poemas Que Viraram Músicas.

Da Série Belos Poemas que Viraram Músicas, apresento hoje, “Rosa de Hiroxima”, antigo poema de Vinicius de Moraes, escrito logo após o final da segunda guerra mundial, durante sua permanência nos Estados Unidos.


Comento: o poema só veio a ser musicado em 1973, muitos anos após ter sido escrito. O autor da música é Gerson Conrad, componente da lendária Banda “Secos e Molhados”, a música tornou em um grande sucesso do extinto grupo, na voz de Ney Matogrosso, à época, cantor principal da banda. Os Secos e Molhados, apesar do sucesso estrondoso, poucas vezes visto na história da MPB, foi desfeito prematuramente, devido às divergências entre os três componentes.

Rosa de Hiroshima faz parte da segunda fase da obra do Poetinha, iniciada em 1943, fase em que ele sai do estilo metafísico para o físico, nesta fase também é marcada a Poesia Social, presente em, além de “Rosa de Hiroxima”, outros poemas de indignação social do poeta, como: "Balada dos mortos dos campos de concentração" e "O operário em construção".

Rosa de Hiroxima é uma exortação à paz, um protesto emocionante contra as armas atômicas que, infelizmente, ainda proliferam em vários países do mundo. Foi apresentada ao vivo em um espetáculo histórico dos Secos e Molhados, em 1974, no Maracanãzinho,

Atualmente, Gerson Conrad, considerado o componente mais discreto dos Secos e Molhados, divide suas atividades profissionais entre a música e a arquitetura. Sobre Rosa de Hiroshima, musica que ajudou a eternizar o poema de Vinicius, fez a seguinte declaração em uma entrevista de 2007, ao site www.abarata.com.br:

“Esse poema de Vinícius estava perdido em uma antologia poética sobre suas obras segundo o próprio poeta. Me foi apresentado por João Ricardo (componente dos Secos e Molhados). Como tratava de um contexto universal, me encantei e compus a melodia. Quando tivemos a oportunidade de mostrar como havia vestido o seu poema, Vinícius me agradeceu e se emocionou muito.”

O músico, orgulhoso da sua obra, falou novamente sobre a música em outra entrevista, desta vez, ao fanzine Elefante Bu, n°31, de março 2008:

“Sem falsa modéstia, eternizei um poema de Vinícius de Moraes, "Rosa de Hiroshima", que talvez, não tivesse alcançado a importância, inclusive internacional, se não fosse a música por mim composta.”

Vinicius de Moraes, o inquieto Poeta da Paixão, deixou uma obra extensa em vários campos da arte, escreveu poemas, peças para teatro, crônicas, letras de música, crítica de cinema e um romance chamado Polichinelo. Sobre o autor de “Soneto de Fidelidade”, Carlos Drummond de Andrade, certa vez disse: "Vinicius é o único poeta brasileiro que ousou viver sob o signo da paixão. Quer dizer, da poesia em estado natural". "Eu queria ter sido Vinicius de Moraes".

O poeta morreu em 9 de julho de 1980, aos 66 anos, em sua casa, no Rio de Janeiro, vítima de edema pulmonar, quando tomava banho em sua banheira, um dos locais preferido para seu relaxamento.

Para ver outros poemas musicados clique no marcador: “Belos Poemas Que Viraram Músicas”.
Para ler sobre curiosidades da música clique no marcador: "Curiosidades da Música Popular Brasileira".





Letra: rosa de Hiroxima

Pensem nas crianças
Mudas telepáticas
Pensem nas meninas
Cegas inexatas
Pensem nas mulheres
Rotas alteradas
Pensem nas feridas
Como rosas cálidas
Mas oh não se esqueçam
Da rosa da rosa
Da rosa de Hiroshima
A rosa hereditária
A rosa radioativa
Estúpida e inválida
A rosa com cirrose
A anti-rosa atômica
Sem cor sem perfume
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domingo, 13 de setembro de 2009

Azulão - Manuel Bandeira Jayme Ovalle - Belos Poemas Que Viraram Músicas.

Da série, Belos Poemas Que Viraram Músicas, destaco hoje, Azulão, um curto e singelo poema de Manuel Bandeira, musicado três vezes - fato comum na obra do escritor. A versão mais famosa é a do pianista Jayme Ovalle (Jayme Rojas de Aragón y Ovalle), as demais foram compostas por Radamés Gnattali e Camargo Guarnieri.

Comento: Ovalle era amigo íntimo de Manuel Bandeira e musicou, além da obra em questão, outros poemas do poeta, como: Modinha e Berimbau. Dono de um temperamento boêmio e grande capacidade criativa, o pianista também desfrutava da amizade de figuras proeminentes da cultura brasileira como: Gilberto Freyre, Fernando Sabino,Vilas-Lobos, Sérgio Buarque de Holanda, Di Cavalcantie e Carlos Drumond de Andrade.

Manuel bandeira, por sua vez, gostava muito de música, tanto erudita quanto popular, tocava um violão sem muitas pretensões e segundo o livro "Vida Musical", de Vasco Mariz, é um dos poetas mais preferidos dos músicos do Brasil, com pelo menos 48 poemas musicados 72 vezes, estes dados são de 1997, portanto, o número deve ser bem maior.

A reconhecida atração dos compositores pela obra de Manuel Bandeira chamou atenção até da academia: José Francisco da Gama e Silva Júnior em sua tese de doutorado “O processo da criação e da composição poética” a respeito da musicalidade dos versos de Manuel Bandeira, cita o seguinte comentário de Andrade Muricy:

“Os músicos sentem que poderão inserir a sua musicalidade – de música propriamente dita – naquela musicalidade subentendida por vezes inexpressa ou simplesmente indicada. Percebem que a sua colaboração não irá constituir uma superestrutura, mas que se fundirá com a obra poética intimamente: o poema e o seu análogo tonal se encaixam em perpétua aliança, como em Azulão”

O gosto do poeta Manuel Bandeira por música o levou a ter parceiros de peso, dentre eles: Villa-lobos e Radamés Gnattali. Algumas vezes, Bandeira fez letra especialmente para músicas, é o caso de "Portugal, meu Avozinho” feita para um Samba de Ari barroso. Vasco Mariz afirma, ainda, em seu livro, que os versos de Azulão foram feitos posteriormente à música de Jayme Ovalle.

Jayme Ovalle faleceu em 1955, em sua homenagem, Bandeira escreveu o poema "Ovalle", não só uma despedida, mas uma comovente afirmação de amizade.

Ovalle

Estavas bem mudado
Como se tivesses posto aquelas barbas brancas
Para entrar com maior decôro a Eternidade.
Nada de nós te interesava agora
Calavas sereno e grave
Como no fundo foste sempre
Sob as fantasias verbais enormes
Que faziam teus amigos rir e
Punham bondade no coração dos maus.

O padre orava:
- “O côro dos anjos te receba…”
Pensei comigo:
Cantando Estrela brilhante
Lá do alto mar!…

Levamos-te cansado ao teu último endereço
Vi com prazer
Que um dia afinal seremos vizinhos
Conversaremos longamente
De sepultura a sepultura
No silêncio das madrugadas
Quando o orvalho pingar sem ruído
E o luar for uma coisa só.

Em 1980, o escritor Otto Lara Resende escreveu:"Quem um dia vai refazer os passos de Jayme Ovalle e identificar as numerosas marcas e impressões digitais que deixou neste mundo, no Rio, em Nova York, em Londres?" O escritor Humberto Werneck , parece ter aceitado o desafio de Lara Resende e, em 2008, lançou o livro "O Santo Sujo - A vida de Jayme Ovalle," edição da Cosac Naify, uma respeitável obra sobre a vida do compositor Jayme Ovalle.





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domingo, 23 de agosto de 2009

Belos poemas que viraram músicas – Traduzir-se – Ferreira Gullar/Fagner.

Continuando a série - “Belos Poemas que Viraram Músicas. A escolhida de hoje é “Traduzir-se”, poema de Ferreira Gullar publicado em 1980, no livro “Na vertigem do dia”. O poema foi musicado com grande competência por Fagner, em 1981.

Comento: Embora tenha colocado, com rara beleza, a letra no clássico “Trenzinho do Caipira”, de Villa Lobos, o poeta do Maranhão declarou não ter muita habilidade para colocar letra em música já pronta, o inverso, no entanto, é verdadeiro: a poesia de ferreira Gullar é extremamente musical, muitas até parecem que foram feitas especialmente para serem musicadas.

O próprio Fagner, um amigo e admirador da obra Ferreira Gullar, trabalhou, pelo menos, mais quatro poemas do poeta maranhense, são eles: Contigo, Cantiga para Não Morrer (me leve), Menos a Mim e Rainha da Vida. Raimundo Fagner, como eu, certamente não acredita na incapacidade do poeta em colocar letra em música pronta, certa vez, o cantor cearense encaminhou um CD com várias músicas para que Gullar colocasse a letra, sobre este assunto o poeta declarou:

“O caso do Fagner é diferente, ele me procurou, ele buscou meus poemas e nos tornamos amigos. Eu gosto muito dele, tenho uma grande amizade por esse cearense. De vez em quando ele me liga ou me escreve, até me pediu outro dia para que eu colocasse letras numas músicas que ele enviou num CD – por problemas técnicos a mídia não funcionou, ficando eu impossibilitado de ouvir as músicas”. Infelizmente não consegui saber os desdobramentos, o certo é que Gullar ainda presenteou Fagner com várias traduções e versões de músicas estrangeiras, entre elas, a popular “Borbulha de Amor” (Borbujas de Amor) do dominicano Juan Luis Guerra.

Em relação a “Cantiga Para Não Morrer” - poema publicado no livro "Dentro da Noite Veloz - a primeira vez que li o texto, há pelo menos 30 anos, me apaixonei imediatamente pela beleza dos versos e, consequentemente, não foi muito difícil colocar a música. Foi a primeira, das duas musicas que fiz na minha curta e improdutiva trajetória de compositor amador.

O vídeo apresenta uma bela interpretação de Adriana Calcanhoto para Traduzir-se.



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sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Belos poemas que viraram músicas. Funeral de um Lavrador.

Videoclip da música "Funeral de um Lavrador" de Chico Buarque de Holanda, baseado na peça "Morte e Vida Severina" escrita por João Cabral de Melo Neto e publicada pela primeira vez em 1954.

A apresentação foi no espetáculo de teatro músical "Brasil Chico Buarque" de Guido Rita,em 13 de Fevereiro de 2007, a banda executa a música de Chico, acompanhada pela voz de Giada Felici.

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sábado, 18 de julho de 2009

Belos poemas que viraram músicas. Curiosidades da Música Popular Brasileira.

AÍ A MÚSICA TEM TAMBÉM SEUS PEQUENOS FATOS.




Vários grandes poetas, mesmo sem a mínima intenção de se transformarem em parceiros musicais, tiveram suas obras transformadas em música por cantores e compositores conhecidos. Assim foi com Carlos Drummond de Andrade, Florbela Espanca, Manuel Bandeira, Cecília Meireles, Ferreira Gullar, dentre tantos outros.
 
Manuel bandeira é considerado, por muitos músicos, o mais musical dos poetas. O cantor Fagner foi um dos que mais recorreram a poemas para compor grandes sucessos como: Canteiros Traduzir-se e Fanatismo. Destaque, nesta relação de poemas musicados, para "Morte e Vida Severina" - longo Auto de Natal do Pernambucano João Cabral de Melo Neto - publicado em 1956 e musicado com rara competência por Chico Buarque de Holanda, para o espetáculo teatral de 1966.
Veja uma pequena relação de poetas e poemas que foram musicados e respectivos intérpretes.
Poeta
Poema
Quem fez a música
Intérprete
Carlos Drummond de Andrade
E agora, José?
Paulo Diniz
Paulo Diniz
Carlos Drummond de Andrade
Canção amiga
Milton Nascimento
Milton Nascimento
Manuel Bandeira
Azulão
Jayme Ovalle
Nara Leão
Florbela Espanca
Fanatismo
Fagner
Fagner
Cecília Meireles
Canteiros
Fagner
Fagner
Ferreira Gullar
Traduzi-se
Fagner
Fagner
Ferreira Gullar
Branca de Neve
Fagner
Fagner
Cecília Meireles
Motivo
Fagner
Fagner
Vinicius de Morais
Rosa de Hiroshima
Gerson Conrad (ex-Secos e Molhados)
Secos e Molhados
João Cabral
Morte e vida Severina
Chico Buarque
Vários
Fica o espaço, prezado leitor, para ampliação da lista de grandes poemas musicados. Quanto ao vídeo, diante de tanta obra de arte, qual escolher? E agora, José? Uma homenagem a Drummond e ao ótimo Paulo Diniz que, infelizmente, anda meio desaparecido.
Para não ser injusto com os grandes poetas relacionados, irei postar as demais músicas nos próximos dias.

Para mais posts sobre poemas musicados, clique no marcador  "Belos poemas que viraram músicas", aí, na aba da direita.




Veja mais post sobre o tema no marcador "Belos Poemas que Viraram Músicas", aí, à direita:

Alguns Posts sobre o assunto:

Azulão - Manuel Bandeira Jayme Ovalle - Belos Poemas Que Viraram Músicas.

Belos poemas que viraram músicas – Traduzir-se

Belos poemas que viraram músicas. Funeral de um Lavrador.


Belos poemas que viraram músicas. Medroso de Amor. 

Belos poemas que viraram música. Brisa - Manuel Bandeira
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