sábado, 12 de dezembro de 2009

O Bonde São Januário. O bonde que leva otário e operário.

Aí a música tem seus pequenos fatos.

No período do Estado Novo, Getúlio Vargas orientou o DIP - Departamento de Imprensa e Propaganda, a “convencer” os compositores a valorizarem o trabalho em suas canções. O objetivo era enaltecer a figura do trabalhador empenhado no desenvolvimento do país, uma marca ostentada pelo governo.

Dentro desta premissa, compositores famosos foram, muitas vezes, instados pela censura a não abordarem temas que, na visão do poder, fizessem apologia a malandragem e a boêmia. Um dos casos mais famosos envolveu dois grandes compositores da história da MPB: Wilson Batista e Ataulfo Alves, parceiros, no início dos anos 40, no samba "O Bonde de São Januário", um sucesso na voz de Ciro Monteiro. Na versão original, a música dizia:

“O Bonde São Januário
Leva mais um sócio otário
Sou eu que vou trabalhar..."

Os compositores, para evitar problemas com o poder, alteraram “sócio otário” por “operário” e o samba ficou assim:

“O Bonde São Januário
Leva mais um operário
Sou eu que vou trabalhar...”

O vídeo apresenta o cantor Ataulfo Alves Junior cantando o polêmico samba do seu pai.

Atualização: embora divulgada em livros e reportagens sobre a história da música, a versão acima é peremptoriamente negada por Ataufo Alves Júnior, o também cantor e filho de Ataulfo Alves.

O músico fez um belo show em Fortaleza, no Projeto Cultural do BNB Clube, cantando músicas do pai em homenagem ao seu centenário, ocorrido no ano passado. Na ocasião, tive oportunidade de perguntá-lo pessoalmente sobre a veracidade da versão da letra original da música “O bonde de São Januário.”

“Conversa fiada!” afirmou convicto o cantor. Complementou que o pai fez a música do jeito que é divulgada, não existindo versão anterior com o termo “sócio otário”.

O cantor de “Os meninos da Mangueira” confirmou, entretanto, a existência de uma paródia divulgada no dicionário Cravo Albin, criada por torcedores adversários para provocar a torcida do Vasco. A versão, segundo Albin, fez um grande sucesso no carnaval de 1941 e dizia.

"...O bonde de São Januário vai levar mais um otário/Pra ver o Vasco apanhar..."


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