sábado, 7 de setembro de 2013

A História do Hino da Independência. Uma Letra com duas melodias. Qual a melhor versão?

O Hino da Independência, que muitos pensam ser de autoria única do Imperador D. Pedro I, tem uma série de fatos interessantes na sua história.

A letra do Hino foi escrita pelo livreiro, jornalista, político e poeta Evaristo da Veiga (1799-1837), em 16 de agosto de 1822, portanto, antecede alguns dias ao Grito da Independência. Com o nome inicial de “Hino Constitucional Brasiliense”, os versos foram musicados pela primeira vez pelo maestro lusitano Marcos Portugal (1760-1830), mestre da Capela Real, que veio para o Brasil a convite do príncipe regente, tornando-se seu professor de música. Nosso primeiro Imperador, após a proclamação da Independência, resolveu também colocar uma melodia na obra de Evaristo da Veiga. Nascia ali, o que seria o nosso conhecido Hino da Independência.

Mesmo considerado um músico de renome internacional, com uma vasta obra respeitada em Portugal e no Brasil, Marcos Portugal não iria ser páreo para um imperador e sua versão foi sendo gradualmente esquecida. O mesmo não aconteceu com a melodia de D.Pedro. No rastro do poder do imperador, o Hino ficou bastante popular durante o período do primeiro império. Naquele tempo, embora de forma não oficial, chegou a ser utilizado como Hino Nacional. Dessa forma, muitos atribuíam a composição apenas ao imperador, fato que levou o autor da letra a reivindicar a sua legítima autoria. Os originais da obra se encontram hoje na seção de manuscritos da Biblioteca Nacional, no Rio de Janeiro.

Com a queda de D. Pedro, o Hino foi sendo esquecido. Somente em 1922, durante o centenário da independência, voltou a ser executado com mais frequência, mas, dessa vez, com a versão de Marcos Portugal. Coube ao Ministro da Educação e da Saúde, Gustavo Capanema, durante a ditadura Vargas, resgatar a versão do nosso Imperador, ao nomear uma comissão para estabelecer definitivamente os hinos brasileiros de acordo com seus originais. Ganhou a versão de D. Pedro I, considerada, por alguns especialistas, bem mais simples do que a do seu mestre. Uma curiosidade: dessa comissão, fazia parte o famoso maestro Villa-Lobos.

Evaristo Ferreira da Veiga e Barros, o autor da letra, foi um entusiasta defensor da causa da independência, nasceu no Rio de Janeiro, em 1799, onde também faleceu em 1837. Foi destacado jornalista, político, um dos principais líderes do Partido Liberal Moderado e também um dos proprietários do jornal Aurora Fluminense. Eleito deputado, em 1830, por Minas Gerais, curiosamente, participou ativamente do golpe de 7 de abril de 1931, que conduziu o Imperador Pedro I à abdicação. Com a criação da Academia Brasileira de Letras, foi escolhido por Rui Barbosa como patrono da cadeira de número 10.

O primeiro vídeo apresenta um documentário onde é resgatada a versão do Hino composta por Marcos Portugal (foto direita). Compare com a melodia do nosso Imperador, no segundo vídeo,  e decida: Qual a melhor versão?

Versão Marcos Portugal


Versão D. Pedro I



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3 comentários:

  1. está me ajudando muito no trabalho de música nota 10

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  2. Marcos Portugal que me perdoe mas a sua melodia é muito complicada para ser cantada. Imagina os brasileiros cantando essa melodia totalmente fora do tom...

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