sábado, 23 de janeiro de 2010

Vinicius de Moraes – O Bom Vagabundo.

Curiosidades da MPB.

O deputado federal Emiliano José (PT-BA) finalizou relatório de sua autoria sobre o projeto de lei nº 6.417, de 2009, que promove post mortem o poeta e diplomata Vinicius de Moraes ao cargo de Ministro de Primeira Classe. O relatório foi entregue à Comissão de Educação e Cultura da Câmara Federal para posterior aprovação. O projeto é de autoria do Poder Executivo.

A proposição vem resgatar uma dívida histórica ao dispor sobre o reconhecimento de um cidadão brasileiro que, como servidor público, na carreira da diplomacia, merece ser promovido post mortem ao cargo de Ministro de Primeira Classe, uma vez que foi arbitrariamente expulso do Itamaraty durante a ditadura militar, explica o parlamentar.

Comento: Em 1968, a ditadura militar, imposta ao país em 1964, andava incomodada com o comportamento de alguns membros do Itamaraty. Um dos alvos da perseguição foi o Poetinha Vinicius de Moraes, primeiro-secretário daquele órgão. De acordo com relatos, o poeta teria sido aposentado compulsoriamente, depois de 26 anos de serviço, de forma grosseira, bem ao estilo dos donos do poder da época. A este respeito, ficou famoso um memorando atribuído ao General Costa e Silva e endereçado ao chanceler Magalhães Pinto contendo apenas os seguintes termos:

Assunto: Vinicius de Moraes.
Demita-se esse vagabundo.
Ass. Arthur da Costa e Silva

Fato ou mito, o certo é que o autor de Garota de Ipanema foi afastado da vida pública em meio às cassações que se seguiram ao Ato Institucional nº 5. Fala-se que Vinicius ficou bastante abatido com o afastamento, detestava a burocracia do serviço público, mas gostava do emprego.

O Jornalista Bernardo Mello Franco, em reportagem do dia 28/06/2009, publicada no jornal “O Globo”, descreve com mais detalhes o caso da degola ocorrida no Itamaraty. De acordo com o relato, uma comissão teria sido criada por Magalhães Pinto e chefiada pelo embaixador Antonio Cândido da Câmara Canto com o objetivo de “livrar” o Ministério das Relações Exteriores de pessoas com comportamento inadequado, na visão do governo. A perseguição atingiu, principalmente, funcionários “suspeitos de ligações com a esquerda, homossexualismo, incontinência pública escandalosa e vício de embriaguez”. As informações de Mello Franco teriam sido embasadas em documentos obtidos pelo “O GLOBO” no Arquivo Nacional, vinculado à Casa Civil, e no Itamaraty. De acordo com o jornalista, os documentos provam que a homofobia e a intolerância pautaram o funcionamento da Comissão de Investigação Sumária, que fez uma caça às bruxas em todos os escalões do Itamaraty.

Comenta-se que Vinicius de Moraes, um heterossexual convicto, ao saber que os motivos das demissões envolviam tanto “acusações de homossexualismo, quanto de boêmia”, mesmo indignado, não perdeu a piada e apressou-se em dizer: “Eu sou alcoólatra!”.

Além da suposta deselegância atribuída ao Presidente Costa e Silva, existe o registro de mais duas pessoas que chamaram Vinicius de vagabundo, desta vez de forma terna, uma licença poética que o General, com sua truculência, jamais teria condições de compor:

“... Poeta
Poetinha vagabundo
Quem dera todo mundo
Fosse assim feito você...”

O trecho acima faz parte da música “Samba para Vinicius”, composta por Chico Buarque de Holanda e Toquinho, uma homenagem ao velho amigo e parceiro. O vídeo apresenta a música cantada por Toquinho, Quarteto em Cy e Chico Buarque. Uma bela interpretação.



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