quinta-feira, 16 de maio de 2013

Frase do Dia. Carlyle.

"Um grande homem demonstra sua grandeza pelo modo como trata os pequenos."

(Thomas Carlyle)

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

segunda-feira, 13 de maio de 2013

A História da Música “Margarida” de Gutemberg Guarabira.


A música “Margarida”, composta pelo cantor e compositor baiano de Bom Jesus da Lapa Gutemberg Guarabira, foi criada a partir de uma brincadeira entre o autor e o também compositor Sidney Miller. 

Ambos se desafiaram a compor músicas com base em canções folclóricas, a exemplo do que fizera Dorival Caymmi com “Boi da cara Preta”. Sidney compôs “Marre de Cy”, Guarabira teve a felicidade de se lembrar de uma desilusão amorosa que teve quando tinha 16 anos e também do refrão de uma canção de roda francesa chamada "Seche tes Larmes, Marie” (Enxugue suas lágrimas, Maria).

Comento: a música foi consagrada ao obter o primeiro lugar na etapa nacional do II Festival Internacional da Canção, promovido pela Rede Globo, em 1967, suplantando favoritas que iriam entrar para história da MPB como: “Carolina” de Chico Buarque, que obteve o terceiro lugar, e o clássico “Travessia”, de Milton Nascimento, segunda colocada. Na fase internacional do Festival “Margarida” ficou com o terceiro lugar, o que rendeu furiosos protestos da torcida brasileira inconformada com o primeiro lugar da canção italiana “Per uma Dona”. 

O interessante é que Guarabira tentou convencer, sem sucesso, vários cantores para defender a música, dentre eles, Agnaldo Timóteo. Restou a alternativa de “reagrupar” o Grupo Manifesto, composto por amigos músicos dos tempos do bar do Careca, com destaque para Gracinha Leporace, futura esposa de Sérgio Mendes, escolhida a melhor intérprete da fase nacional, defendendo, no mesmo Festival, "Canção de esperar você" , do seu irmão Fernando Leporace. A escolha do  Manifesto veio a calhar - o grupo, já estava ensaiando a música para uma gravação de um disco pela Philips.

Guarabira, em uma entrevista a Júlio de Cesar Barros, teoriza para explicar a vitória da música:


"[...] até pode ser o caráter tranquilo e despojado da música a razão de ter vencido. Outro dia estive comum compositor concorrente no mesmo festival e brinquei que minha música só tinha vencido porque todas as outras eram tristes e a minha era a única aragem fresca da manhã em toda aquela noite de tempestades pela qual o Brasil passava na época. Além disso, hoje sei que o público interpretava em mim uma espécie de símbolo daquilo que os heróis populares geralmente representam. Eu era apenas um menino anônimo, 19 anos à época, chegado do sertão longínquo do rio São Francisco, sobrevivendo na cidade grande às custas de um emprego humilde de office-boy etc. Portanto, aquele apoio todo da população do Rio, milhares de pessoas enfeitadas de margarida fazendo um verdadeiro carnaval no Maracanãzinho e também por toda a cidade, onde a flor virou moda, tinha por trás uma força humana alheia à luta política que se desenrolava. Isso pegou todo mundo de surpresa. Inclusive eu, claro."

Embora vencedora, a música não obteve o sucesso comercial de “Carolina” e “Travessia’. Foi logo esquecida devido à falta de empenho da gravadora que, pega de surpresa com o resultado do Festival preferiu priorizar a divulgação de outros cantores e só lançou o disco do grupo Manifesto quatro meses depois do Festival. O fato provocou um desentendimento entre Guarabira e a gravadora que, posteriormente, levou a rescisão do seu contrato prejudicando, ainda mais, a carreira do cantor em plena fase pós-vitória. O cantor só viria a despontar, tempos depois, com a companhia de Sá e Zé Rodrix. 

Resumo da Opera: Margarida venceu, mas quem logo entrou para a História da MPB foi Milton Nascimento. Consagrou sua “Travessia” como uma das músicas mais admiradas da MPB e, de quebra, foi escolhido o melhor intérprete do Festival.

Ouça "Margarida" com o Grupo Manifesto e, no segundo vídeo, confira a bela regravação do Grupo Roupa Nova. Escolha sua versão.

Fonte
Mello,Zuza Homem de, A era dos festivais: uma parábola, Editora 34.
http://veja.abril.com.br/blog/passarela/entrevista/e-apareceu-o-guarabyra-3.

Grupo manifesto

Roupa Nova

Letra
Andei, terras do meu reino em vão
Por senhora que perdi
E por quem fui descobrir
Não me crer mais rei e aqui me encerrei
Sou cantor e cantarei
Que em procuras de amor morri, ai
Dor que no meu tempo dói
Que destróes assim de mim
Bem sei que eu achei enfim
E que adianto a dor
Mas me queimou
Pois por não saber de amor

Ela ainda rainha está
E ela está em seu castelo, olê, olê, olá
E ela está em seu castelo, olê, seus cavaleiros

Ora peçam que apareça
Pois por mais que eu ofereça
Mais que evita essa senhora
Eu já fui rei, já fui cantor

Vou ser guerreiro, um perfeito cavaleiro
Armadura, escudo, espada
Pra seguir na escalada,
Belo motivo, é por amor que vou lutando
E pelas pedras do castelo
Como eu já vou retirando
E retirando uma pedra, olê, olê,olá
Mais uma pedra não faz falta, olâ, seus cavaleiros
Que ainda correm pelo mundo
Ouçam só por segundo, eu acabo de vencer
Retirei pedras de orgulho, majestades,
Deixei todas de humildades, de amores sem reinado
Ela então se me rendeu
Eu já fui rei, já fui cantor, já fui guerreiro
E agora enfim sou companheiro
Da mulher que apareceu

E apareceu a Margarida, olê, olê, olá
E apareceu a Margarida, olê, seus cavaleiros
Fonte: Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

domingo, 14 de abril de 2013

Frase do Dia. Joseph Joubert.

"Quem possui imaginação sem conhecimentos tem asas, mas não pés."

(Joseph Joubert)
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

sábado, 13 de abril de 2013

Noel Rosa. “Silêncio de um minuto”. Qual a Melhor Versão?




Em “Silêncio de um minuto”, composta em 1935, Noel Rosa, poeta do morro e da cidade, mostra uma das suas muitas vertentes na música: o lirismo. Na obra, o Poeta da Vila associa um amor desfeito ao luto e não economiza metáforas para “sepultar” uma história de amor até então cheio de glórias. 

A música foi gravada em 1940, por Marília Batista e contou com arranjo de Pixiguinha, em uma gravação pela Victor.   Marília teria recebido da mãe de Noel, quando ele faleceu, em 1937, um caderno com anotações, entre outros materiais. Ali estava, por exemplo, a letra de "Balão Apagado", que ela musicou nos anos 60. Talvez no caderno também estivesse esta versão resumida, de "Silêncio de um minuto". Explico: na verdade, não se sabe por qual motivo a cantora suprimiu algumas estrofes da música, perdendo imagens marcantes da obra, como "a pá do fingimento" e "a cal do esquecimento". A letra completa foi gravada por Aracy de Almeida em 1951 com arranjo de Radamés Gnattali.

Ouça “Silêncio de um minuto” nas vozes de três renomadas cantoras de três gerações distintas. Aracy de Almeida, Maria Bethânia, Roberta Sá. Escolha a melhor versão.   

Aracy de Almeida
Maria Bethânia
Roberta Sá

Letra
Não te vejo nem te escuto,
O meu samba está de luto.
Eu peço o silêncio de um minuto,
Homenagem à história
De um amor cheio de glória
Que me pesa na memória.
Nosso amor cheio de glória,
De prazer e de ilusão
Foi vencido e a vitória
Cabe à tua ingratidão.
Tu cavaste a minha dor
Com a pá do fingimento
E cobriste o nosso amor
Com a cal do esquecimento.

Teu silêncio absoluto
Me obrigou a confessar
Que o meu samba  está de luto,
Meu violão a soluçar
Luto preto é vaidade
Neste funeral de amor.
O meu luto é a saudade
E saudade não tem cor.

Fonte:
Bessa, Virginía de Almeida. A escuta Singular de Pixinguinha – História e música popular no Brasil de 1920 e 1930. São Paulo. Editora Alameda Casa Editorial ,2010.
http://www.brasileirinho.mus.br/arquivomistura/noelrosa.html
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

domingo, 31 de março de 2013

Frase do Dia. Skinner.


" A educação é aquilo que sobrevive depois que tudo o que aprendemos foi esquecido."



(Burruhs Frederic Skinner)
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

As músicas de Mário de Andrade.

Curiosidades da Música Popular Brasileira.

"(...) sinto sempre uma hesitação danada quando, nos hotéis, enchendo a ficha de hospedagem, tropeço na 'Profissão'. Pianista? Professor? Jornalista? Crítico de arte? Folclorista? ou mais recentemente: Funcionário Público?"
(Mário de Andrade)
É verdade. A reflexão de Mario de Andrade sobre sua profissão bem caracteriza o perfil do escritor - inquieto intelectual e artista multifacetado. Com efeito, talvez uma boa definição para Mário Raul de Moraes Andrade (893-1945) seria uma frase de um dos seus poemas: “Sou trezentos, sou trezentos e cinquenta”, apresentado no livro “”Remates de males” de 1930.

Um dos maiores expoentes do movimento modernista, Mário de Andrade também se notabilizou como um profundo estudioso da música. Há quem diga que essa vertente de interesse pela música tenha exercido profunda influência na formação das suas demais atividades. Estudou piano em conservatório e tornou-se professor de música desse mesmo conservatório. Seus livros sobre o tema, a exemplo de “Ensaio sobre a música brasileira” e “Pequena história da música”, são obras obrigatórias para pesquisadores da MPB.

Tanta dedicação à música, entretanto, não fez do nosso grande intelectual um compositor prolífico - talvez por isso ele não tenha se definido como compositor. Tenho conhecimento de apenas duas músicas por ele composta. A primeira, conhecida pelo título de “Hino do Grupo do Gambá”, é uma brincadeira que ele fazia durante as reuniões com seu grupo modernista na casa de D. Olívia Penteado. A segunda, bem mais conhecida, foi batizada de “Maroca”, também chamada de “Viola Quebrada”, uma bela modinha com argumentos regionais onde fica clara a admiração do poeta pelo estilo simples das canções populares com forte sotaque caipira. Esse apego ao folclore é demonstrado nas várias viagens etnográficas que o escritor fez pelo Brasil.

Viola Quebrada foi escrita em meados da década de 1920, chegou a ter acompanhamento de Villa-Lobos e foi gravada por grandes artistas brasileiros. A respeito dessa música, o interessante é que o nosso eclético modernista confessou, em carta enviada para seu amigo, o escritor Manuel Bandeira que, para compor “Maroca”, se baseara em Cabocla de Caxangá, famosa música da época, de autoria atribuída a Catulo da Paixão Cearense e João Pernambuco. Exagerado na modéstia o poeta admite até um inocente plágio na estética da sua música, se justificando pela sua condição de compositor amador. Na carta ele conta o seu segredo ao amigo:

“Você quer escutar uma confidência só mesmo pra você? Pois isso é o pasticho mais indecentemente plagiado que tem. No que aliás não tenho a culpa porque toda a gente sabe que não sou compositor. A Maroca foi friamente feita assim: peguei no ritmo melódico de Cabocla do Caxangá e mudei as notas por brincadeira me vestindo. Tenho muito costume de sobre um modelo rítmico qualquer inventar sons diferentes pra me dar uma ocupação sonora quando me visto. Assim saiu a Maroca que por acaso saindo bonita registrei e fiz versos pra. Só o refrão não é pastichado da rítmica melódica da obra de Catulo. E a linha que inventei tem dois dos tais torneios melódicos que especifiquei na Bucólica coisa que aliás só verifiquei agora pois nunca tinha ainda matutado nisso. Aliás o refrão não tem nada de propriamente brasileiro com aquele tremido sentimental.”

Ouvindo a música muita gente discorda do excesso na autocrítica do nosso eclético artista. E você? Ouça a bela melodia de Viola Quebrada na voz de Rolandro Boldrin, logo depois, para comparar, confira “Cabocla de Caxangá”. Aproveite para participar das reuniões dos modernistas ouvindo o “Hino do Grupo do Gambá”, gravado por Marcelo Tápia e Grupo Colher de Pau,
no terceiro vídeo.

Viola Quebrada

Cabocla de Caxangá

Hino do Grupo Gambá


Letra de Viola Quebrada

Quando da brisa no açoite a flor da noite se acurvou
Fui encontra coma a Maróca meu amor
Eu senti n'alma um golpe duro
Quando ao muro lá no escuro
Meu olhar andou buscando a cara dela e não achou

Minha viola gemeu
Meu coração estremeceu
Minha viola quebrou
Meu coração me deixou

Minha Maróca resolveu prá gosto seu me abandonar
Porque o fadista nunca sabe trabalhar
Isto é besteira pois da flor
Que brilha e cheira a noite inteira
Vem de´pois a fruta que dá gosto de saborear

Minha viola gemeu
Meu coração estremeceu
Minha viola quebrou
Meu coração me deixou

Por causa dela sou um rapaz muito capaz de trabalhar
E todos os dias todas as noites capinar
Eu sei carpir porque minh'alma está arada e loteada
Capinada com as foiçadas desta luz do seu olhar Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

sexta-feira, 15 de março de 2013

Frase do Dia. Goethe

"O declínio da literatura acompanha o declínio da nação. As duas andam juntas no caminho que desce."

(Johann Wolfgang von Goethe )
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Osvaldo Cruz e a polca "Rato rato".

Curiosidades de Música Popular Brasileira

No início do século XX, o Rio de Janeiro estava infestado de vetores de  doenças infecciosas decorrente da falta de higiene da população e condições insalubres das moradias. Em decorrência, era comum, na então capital do país, a incidência de varíola, peste bubônica e febre amarela. Coube ao jovem médico Osvaldo Cruz, à época Diretor da Diretoria Geral de Saúde Pública –DGSP, a difícil tarefa de empreender ações profiláticas de viés médico higienista para reduzir ocorrência de infectados que já causavam um considerável número de mortes.

Com amparo em lei regulamentada especificamente para combate as causas da proliferação das doenças, foram realizadas demolição de cortiços, desratização e dedetização das casas a qualquer hora, isolamento de doentes, fim da ordenha de vacas nas ruas, da criação de porcos em casa e prisões aos desobedientes, sacrifícios de cães vadios, dentre outras ações que não contaram com o apoio de uma população incrédula quanto à eficácia das ações mitigadoras e revoltada com o autoritarismo das normas.

O certo é que as ações do sanitarista obtiveram excelentes resultados, mas lhe custou uma série de críticas e revoltas incentivada pela oposição que se aproveitava da ira da população. Eram comuns charges, galhofas e letras de músicas ridicularizando o médico. A polca “Rato rato” é um desses exemplos de sátira desse momento conturbado. A música, um grande sucesso do carnaval de 1904, composta pelo músico da Banda do Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro Casimiro da Rocha e letra de Claudino Costa, satirizava a campanha de desratização da cidade do Rio de Janeiro, implantada por Osvaldo Cruz, entre 1903 e 1907, para erradicar a peste bubônica - doença transmitida por meio das pulgas alojadas nos roedores.

Dentre as várias medidas, estava incluída a compra, pelo estado, de ratos mortos. Um Decreto chegou a criar a figura do “ratoeiro”, profissionais encarregados de intermediar a compra dos roedores e que, para atingir a meta estipulada de animais abatidos por dia, aos gritos de “rato, rato, rato”, perambulavam pelas favelas, cortiços e bairros pobres da cidade com uma lata na mão e uma corneta para anunciar sua chegada e recolher os bichos sacrificados pela população. Mesmo com os desvios percebidos – foram relatados casos de pessoas que criavam ratos para vendê-los – o programa foi exitoso, estima-se que 1,6 milhões desses animais foram exterminados e os casos de peste bubônica foram reduzidos consideravelmente.

Ouça a polca choro em três versões. As duas primeiras ainda no tempo da gravação mecânica. Tempo em que os cantores praticamente gritavam para ter sua voz registrada no disco. A primeira é uma versão ainda sem letra de Casimiro da Rocha, gravada em 1907, a segunda versão, já com letra, interpretado por Artur Castro em 1913 e a terceira, uma gravação de 1945, da inesquecível Ademilde Fonseca.

Casemiro de Abreu

Artur Castro

Ademilde Fonseca


LETRA

Rato, rato, rato
Porque motivo tu roeste meu baú?
Rato, rato, rato,
Audacioso e malfazejo gabiru.

Rato, rato, rato,
Eu hei de ver ainda o teu dia final,
A ratoeira te persiga e consiga,
Satisfazer meu ideal.

Quem te inventou?
Foi o diabo, não foi outro, podes crer
Quem te gerou?
Foi uma sogra pouco antes de morrer!

Quem te criou?
Foi a vingança, penso eu,
Rato, rato, rato, rato,
Emissário do judeu.

Quando a ratoeira te pegar,
Monstro covarde, não me venhas,
A gritar, por favor.
Rato velho, descarado, roedor
Rato velho, como tu faz horror!


Vou provar-te que sou mau,
Meu tostão é garantido,
Não te solto nem a pau...

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

sábado, 9 de março de 2013

Frase do Dia. R. Descartes.

"O bom senso é a coisa mais bem repartida entre os homens, pois cada qual pensa estar tão bem provido dele, que mesmo os que são mais difíceis de contentar em qualquer outra coisa não costumam desejar tê-lo mais do que o têm..."

(René Descartes)
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

terça-feira, 5 de março de 2013

Versões "My Way". Shirley Bassey.

Mais uma versão do clássico “My Way”, dessa vez na voz da Shirley Bassey.
Dame Shirley Veronica Bassey nasceu no País de Gales. Dentre seus trabalhos mais conhecidos estão os temas de filmes de James Bond, como: "Goldfinger" de 1964, que lançou sua respeitada carreira internacional ,"Diamonds Are Forever" (1971) e "Moonraker" (1979).

Em 2013, na cerimônia de premiação do Oscar, a cantora foi ovacionada de pé pelo público, ao cantar “Goldfinger”, em uma homenagem aos cinquenta anos da primeira versão da série James Bond.

Confira outras belas interpretações de My Way na aba "Versões My Way" aí na aba à direita.


Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

sábado, 2 de março de 2013

Frase do Dia. Carlos Drummond de Andrade.

                                                                                                                                                                        
Muita coisa do que eu fiz, que data de 1930, eu acho hoje uma porcaria, não faria de novo. São obras que não resistem. Mas, também, seria preciso julgar com o espírito de então...Considero uma calamidade, uma injúria alguém publicar as coisas iniciais, aqueles vagidos dos escritores que se tornaram mais ou menos conhecidos. Saem coisas incríveis... 

(Carlos Drummond  de Andrade)
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Curta-metragem sobre Noel Rosa.


Interessante Curta-metragem produzido pela BossaFilmes, em comemoração ao centenário de nascimento de Noel Rosa.O vídeo apresenta depoimentos de artistas famosos que conheceram o poeta como, Elisete Cardoso, Adoniram Barbosa, Ismael Silva, Almirante e Braguinha. Os dois últimos, em 1929, ainda em início de carreira, chegaram a dividir palco com Noel em um conjunto musical chamado Bando de Tangarás.


O fundo musical apresenta Noel Rosa cantando duas das suas várias obras primas – “Positivismo” e “Coisas Nossas”, gravação de 1933. As duas cantoras preferidas do Poeta da Vila também participam. Marília Batista interpreta “Feitio de Oração” e Araci de Almeida apresenta “Não tem Tradução”. De quebra, “Filosofia” com Adoniran Barbosa.


Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Frase do Dia. Henry Ford.

"Se eu perguntasse a meus compradores o que eles queriam, teriam dito que era um cavalo mais rápido"

(Henry Ford )
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Belos poemas que viraram músicas. Medroso de Amor.

 Na bela Paris, em algum dia do ano de 1894, o pianista cearense Alberto Nepomuceno (1864 – 1920) musicou o poema “Medroso de Amor”, de seu conterrâneo, o poeta e folclorista Juvenal Galeno (1836-1931). Na união das competências de dois nacionalistas o resultado não poderia ser outro: a brasilidade da obra.


Considerado um dedicado observador dos costumes do interior, do sertão, das praias, Juvenal Galeno se considerava um poeta popular e se destacou pelo pioneirismo na literatura do Ceará. Seu livro de estreia, “Prelúdios Poéticos”, editado em 1856, é considerado o primeiro livro da literatura cearense e o marco inicial do Romantismo no Ceará. A peça “Quem com ferro fere com ferro será Ferido”, Única obra de Juvenal Galeno para o teatro, é considerada a primeira peça teatral escrita, produzida e encenada no ceará. O poeta também é considerado o pioneiro do folclore no Nordeste.

Fala-se - versão contestada por alguns pesquisadores - que a estética de sua obra, com forte sabor popular, foi orientação do poeta Gonçalves Dias que havia se hospedado na casa dos pais de Juvenal Galeno e de quem se tornou amigo. São poesias simples, com sotaque interiorano, que demonstrava profunda preocupação com a sorte do seu povo, fruto do forte engajamento político do cearense. Também se observava lirismo e musicalidade em sua obra, como pode ser observado no poema “Cajueiro Pequenino”: 

Cajueiro Pequenino,
carregadinho de flor.
À sombra das suas folhas,
venho cantar meu amor.

Em “Medroso de Amor”, um poema aparentemente ingênuo, até brejeiro, Juvenal Galeno realça as virtudes de um tipo genuinamente brasileiro - a moreninha - que habitava o imaginário popular da época com seu poder de seduzir, definitivamente, pelo sorriso meigo e olhar apaixonado. 

Moreninha, não sorrias
com meiguice... com ternura
(Não sorrias com meiguice)
Este riso de candura
Não desfolhes, não sorrias
Que eu tenho medo d´amores
Que só trazem desventuras.
Moreninha! Não me fites
Como agora, apaixonada
(Não me fites como agora, moreninha)
Este olhar toda enlevada
Não desprendas, não me fites
Pois assim derramas fogo
Em minh´alma regelada.
Moreninha! (Moreninha,) vai-te embora
Com teus encantos maltratas;
(Moreninha, vai-te embora...)
Eu fui mártir das ingratas
Quando amei... Oh, vai-te embora!
Hoje fujo das mulheres
Pois fui mártir das ingratas.

O poeta ficou cego em 1908, mas nunca abandonou a literatura. Teve uma vida longa, faleceu em 7 de março de1931, de uremia, aos 95 anos.

Denominada Opus 17 n°1, a melodia de Nepomuceno para “Medroso de Amor”, reflete o romantismo de Juvenal e, ao ouvi-la, percebe-se, claramente, a simpatia que o maestro cearense nutria pelos ritmos populares brasileiros da época, como o maxixe, o tango brasileiro e o choro. Embora fosse músico erudito, Nepomuceno defendia com unhas e dentes a língua portuguesa. Ficou famosa uma frase supostamente a ele atribuída - “Não tem pátria um povo que não canta em sua língua”. 

Medroso de Amor” se destaca, na vasta obra de Nepomuceno, por ser uma das suas primeiras incursões no universo popular. O compositor daria novas demonstrações da sua paixão pelos ritmos populares ao convidar Catulo da Paixão Cearense e Ernesto Nazareth para participar das apresentações musicais da Exposição Nacional realizada em 1908. Em 1904, organizou os primeiros recitais com canções em língua portuguesa e inovou ao lançar a obra “O Garatuja” sobre texto de José de Alencar. Aquilo que foi, nas palavras de Manuel Negwer, “a primeira ópera inconfundivelmente brasileira em que ritmos nativos como lundu e maxixe são utilizados”. 

Em “Medroso de Amor”, o músico cearense parece ir buscar elementos rítmico-melódico da modinha, estilo musical romântico bastante popular no Brasil na metade do século XVIII e que teve como grande nome Domingos Caldas Barbosa, um descendente de escravo que fez grande sucesso na corte portuguesa do século 18. A música chegou a merecer análise de Mário de Andrade em “Ensaio Sobre a Música Brasileira”. 

Guida Borghoff e Luciana Monteiro de Castro, da UFMG, em uma breve análise, no site “Canções Brasileiras obras para Canto e Piano”, um guia de consulta sobre obras brasileiras para canto e piano, destacam: “Das canções escritas em 1894, primeiras canções de câmara escritas em português, esta é a que mais elementos nacionais apresenta melodias em frases curtas à maneira das modinhas e frases longas, associando versos, à maneira das serestas. Além destes aspectos melódicos, a presença de síncopes em um andamento 'presto' levou um crítico musical a referir-se à obra como um ´lundu transfigurado”.

A inovação musical de Alberto Nepomuceno na busca da nacionalização da música erudita não ficou imune aos críticos mais puristas. Oscar Guanabarino, um músico com sólida formação em piano e também uma espécie de feroz crítico musical da época, teceu violentos ataques contra aquilo que considerava uma “tentativa inconcebível de alteração da estética da música clássica mundial”. Outro defensor da música brasileira também seria alvo dos ataques de Guanabarino: Villa-Lobos viria a reger em 1921, uma versão orquestral de “Medroso de Amor”.

Segundo o ‘Catálogo geral de obras de Alberto Nepomuceno’, editado pela FUNARTE, a primeira audição de 'Medroso de amor' foi em um concerto realizado no dia 4 de agosto de 1895, no Instituto Nacional de Música, Rio de Janeiro, na voz de Leopoldo Noronha, acompanhado ao piano pelo próprio Nepomuceno. A obra não consta do programa impresso e nem dos comentários da imprensa realizados por críticos da época. 

Em 1968, Nara Leão gravou Medroso de Amor, apoiada em arranjos de Rogério Duprat, uma versão modernizada, sem as impostações líricas da maioria das versões interpretadas por sopranos.
Ouça a versão de Nara Leão e a mais tradicional representada pela soprano Patrícia Endro acompanhada por Dante Pignatari.





Fontes:
Pignatari,Dante; Canto da Língua: Alberto Nepomuceno e a Invenção da Música Brasileira - Tese de mestrado, 2009.
Negwer, Manuel; Villa-Lobos – O Florescimento da música brasileira, Editora Martins Fontes,2009
Canções Brasileiras -guia de consulta sobre obras brasileiras para canto e piano, www.grude.ufmg.br/cancaobrasileira Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Frase do Dia. Tom Jobim.

"Se eu fosse editor, ia buscar coisas no Nordeste:as coisas mais geniais do mundo estão lá"

(Tom Jobim) Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

domingo, 10 de fevereiro de 2013

Jackson do Pandeiro também é frevo.

Em 1979, o ritmo contagiante do Frevo ficou ainda mais rico na voz do eterno Jackson do Pandeiro e Gilberto Gil. A música é “Sou Eu Teu Amor”, de dois pernambucanos: Alceu Valença e Carlos Fernando. O acompanhamento também é de primeira: Robertinho de Recife (guitarra), Paulo Rafael (guitarra), Geraldo Azevedo (violão), Novelli (baixo), Robertinho Silva (bateria), Jackson do Pandeiro (pandeiro), Rafael Rabello (violão de 7 cordas), Joel Nascimento (bandolim), Zé Américo (sanfona) e o maestro Juarez Araújo (clarinete e sax). A música foi gravada no disco “Asas da América”, de 1979. 

Comento: Autor de grandes sucessos como “Banho de Cheiro” e “Siri na Lata”, o compositor Caruaruense Carlos Fernando é o idealizador do projeto Asas da América, iniciado no início dos anos 80 - uma tentativa de modernizar o ritmo do frevo e levá-lo além das fronteiras de Pernambuco. O projeto Asas da América frutificou e gerou uma série de álbuns que contou com a participação de grandes nomes da MPB como: Chico Buarque, Gilberto Gil, Caetano Veloso e Jackson do Pandeiro a Marco Pólo, Geraldo Azevedo, Flaviola, Alceu Valença, Zé Ramalho, Elba Ramalho, Fagner, dentre outros.


Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Frase do dia. Alberto Nepomuceno.

"Não tem pátria um povo que não canta em sua língua"

(Alberto Nepomuceno)
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Ary Barroso e o Futebol.

“Eu era uma das últimas pessoas a merecer esta doença tão aniquiladora, pelo meu temperamento. Mas foi muito bom. Essa doença fez-me encontrar. Hoje sou completamente diferente. Quando ficar bom e for falar com os meus amigos, muitos vão se espantar estarão falando com um outro Ary. Eu estava vivendo uma vida de artificialismo. Felizmente me encontrei. Quando ficar bom, quero ser um grande avô. Esporadicamente aparecerei na Noite.Imagine que o médico hoje disse não saber quando poderei me levantar. Não sinto nada, mas se levantar-me e for ver um Fla x Flu e voltar para a cama estou arriscado a morrer.”

(Ary Barroso)


A frase do compositor Ary Barroso - já em estado avançado da cirrose que iria matá-lo - bem demonstra a paixão do mineiro pelo futebol. Flamenguista roxo, Ary chegou a jogar no Botafogo Futebol Clube - não o Glorioso carioca , mas o homônimo da sua pequena Ubá, em Minas Gerais, lá pelos anos de 1921 a 1923. A miopia já era grande e nosso compositor enfrentava os petardos dos atacantes adversários com um par de óculos.Não se tem notícias das qualidades de atleta do nosso grande artista, mas em outra profissão ligada ao esporte mais popular dos brasileiros, sim. Ele se destacou como locutor esportivo. 

Tudo começou em 1936, quando o locutor Alfonso Scola teve que se internar às pressas devido a uma úlcera. Coube a Ary substituí-lo. Começava ali um estilo inovador de narração de jogo de futebol, com direito a comentários e opiniões. Inovou também o mineiro, ao incluir um toque de gaitinha de boca logo após a ocorrência de um gol. A paixão pelo Flamengo não era escondida e ficava clara no toque do instrumento. Enquanto para os demais times o gol era anunciado com dois ou três toques, para o Flamengo o gol era comemorando descaradamente com um longo e vibrante apito na gaita, motivo de ira para muitos torcedores dos times adversários. O sucesso foi tanto que o falecido músico Altamiro Carrilho se inspirou na gaitinha do Ary para fazer o fraseado de uma das gravações do choro “ Um a zero”.

Embora fosse um apaixonado por futebol, Ary pouco compôs sobre o assunto. Um dos raros exemplos foi “Chiribiribi qua quá”, uma parceria com Nássara que foi um grande sucesso no carnaval de 1937. Na letra, versos que utilizavam argumentos do futebol para relatar um frustrado caso de amor.A marchinha não era das melhores, comparada à qualidade do acervo deixado pelo Ubaense. Ao que parece, o compositor também concordava com minha avaliação: anos depois de compor “Chi-ri-bi-ri-bi, qua-qua”, ele declarou:

“Preferência... Tudo, menos irradiar futebol.
Chateia... a música Chi-ri-bi-ri-bi, qua-qua, de minha autoria.”

Ouça a composição interpretada pelo Bando da Lua. Agradeço ao grande pesquisador Nirez o envio do áudio.

Fonte:
Xavier,Beto, Futebol no País da Música,Editora Panda Books,2009.


Letra:
Chiribiribi quá quá
Ary Barroso / Antônio Nássara - 1936

Chiribiribi quá quá
Chiribiribi quá quá
Nosso amor, há de ser campeão
Chiribiribi quá quá
Chiribiribi quá quá
O juiz o juiz é o coração

Eu procurei fazer um gol no teu amor
Fiquei nervoso e perdi a direção
O juiz apitou sem ter razão
O juiz, o juiz é um ladrão

Pra que juiz marcar o jogo entre nós dois
Si vale "foul", vale "offside" e bofetão
É melhor o juiz lamber sabão
Oh! O juiz, o juiz é um ladrão

Ficha técnica da faixa
[ Marcha carnavalesca - Victor 34.115B - Intérprete Bando da Lua - gravada em novembro de 1936 e lançada em dezembro de 1936] Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

domingo, 28 de outubro de 2012

Frase do Dia.Mahatma Gandhi.

"Odeio o privilégio e o monopólio. Para mim, tudo o que não pode ser dividido com as multidões é tabu"

(Mahatma Gandhi)
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Filme “O Rei do Samba”. A Vida de Geraldo Pereira.

O filme “O Rei do Samba”, de José Sette, apresenta trajetória de Geraldo Pereira, um dos maiores compositores do Brasil. Como tantos exemplos na MPB, sua obra é bem mais conhecida do que o próprio autor. São dele clássicos como: “Falsa Baiana”, “Baiana que entra no samba e só fica parada/Não samba, não dança, não bole nem nada/Não sabe deixar a mocidade louca...”, “Sem Compromisso”, “Você só dança com ele/E diz que é sem compromisso/É bom acabar com isso/Não sou nenhum pai-joão/Quem trouxe você fui eu/Não faça papel de louca/Prá não haver bate-boca dentro do salão...”, “Escurinho”, “Acertei no Milhar” (Etelvina, Acertei no milhar/Ganhei 500 contos/Não vou mais trabalhar.../, e “Bolinha de Papel”.

Mineiro de Juiz de Fora, de origem bastante humilde, Geraldo após deixar Minas Gerais, foi morar no Rio de janeiro, no Morro da Mangueira, onde trabalhou como motorista de caminhão da empresa de limpeza urbana do Rio e, a exemplo de Cartola, Nelson Cavaquinho, Nelson Sargento, seus companheiros de rodadas de samba, ganhou a admiração de gigantes da MPB, como Chico Buarque, João Gilberto, Roberto Silva, Ciro Nogueira, Moreira da Silva, Zeca Pagodinho, dentre muitos outros que se encantaram com seu estilo de samba sincopado e melodias sofisticadas.

O compositor tinha uma vida boêmia e desregrada, por isso faleceu jovem, em 1955, aos 37 anos, pouco tempo depois de levar um violento soco, durante uma briga com o lendário malandro da Lapa “Madame Satã”, o que levantou especulações de que essa teria sido a causa da sua morte. Na verdade, pelos depoimentos de amigos, e do próprio Madame Satã, o artista já estava com a saúde bastante debilitada e, mesmo assim, continuava sua vida de bebedeira pelas madrugadas do Rio de Janeiro , este, provavelmente, foi o motivo da sua morte, alguns dias depois de ser internado.

O filme, apesar de alguns exageros nos diálogos, o que o torna enfadonho em alguns momentos e da proposital economia nos cenários e figurinos de época, fornece muitas informações sobre a vida do grande compositor. Vale a pena conferir.



Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

domingo, 21 de outubro de 2012

Frase do Dia. François de La Rochefoucauld


"A juventude é uma longa intoxicação: ela é a razão em estado febril."


(Duque de La Rochefoucauld)
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

O Rio Antigo de Chico Anysio e Nonato Buzar.

Qual a Melhor Versão?


O Rio de Janeiro continua lindo, mas para o saudoso Chico Anysio e Nonato Buzar era bem melhor. A música Rio Antigo é um passeio pelas coisas boas do Rio de antigamente, uma bela viagem de reminiscências poéticas do humorista cearense e Nonato Buzar.

Ouça a música na voz de Chico cantando em dueto com o também inesquecível humorista Mussum. Cauby Peixoto, Maria Cleuza e Alcione parecem também concordar com a visão saudosista de Chico Anysio e gravaram sua versão da música. Confira nos vídeos abaixo e escolha “Qual é a melhor versão?”

Mussum e Chico Anysio


Cauby Peixoto

Maria Cleuza

Alcione

Rio Antigo (Letra)
Nonato Buzar/Chico Anysio
Quero um bate-papo na esquina
Eu quero o Rio antigo
Com crianças na calçada
Brincando sem perigo
Sem metrô e se frescão
O ontem no amanhã
Eu que pego o bonde 12 de Ipanema
Pra ver o Oscarito e o Grande Otelo no cinema
Domingo no Rian
Me deixa eu querer mais, mais paz
Quero um pregão de garrafeiro
Zizinho no gramado
Eu quero um samba sincopado
Baioba, bagageiro
E o desafinado que o Jobim sacou
Quero o programa de calouros
Com Ary Barroso
O Lamartine me ensinando
Um lá, lá, lá, lá, lá, gostoso
Quero o Café Nice
De onde o samba vem
Quero a Cinelândia estreando "E o Vento Levou"
Um velho samba do Ataulfo
Que ninguém jamais agravou
PRK 30 que valia 100
Como nos velhos tempos
Quero o carnaval com serpentinas
Eu quero a Copa Roca de Brasil e Argentina
Os Anjos do Inferno, 4 Ases e Um Coringa
Eu quero, eu quero porque é bom
É que pego no meu rádio uma novela
Depois eu vou à Lapa, faço um lanche no Capela
Mais tarde eu e ela, nos lados do Hotel Leblon
Quero um som de fossa da Dolores
Uma valsa do Orestes, zum-zum-zum dos Cafajestes
Um bife lá no Lamas
Cidade sem Aterro, como Deus criou
Quero o chá dançante lá no clube
Com Waldir Calmon
Trio de Ouro com a Dalva
Estrela Dalva do Brasil
Quero o Sérgio Porto
E o seu bom humor
Eu quero ver o show do Walter Pinto
Com mulheres mil
O Rio aceso em lampiões
E violões que quem não viu
Não pode entender
O que é paz e amor Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

domingo, 30 de setembro de 2012

Frase do Dia. Marco Aurélio.

"Nossa vida é o que os nossos pensamentos determinam."

(Marco Aurélio)
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

sábado, 29 de setembro de 2012

Momentos de Hebe Camargo na Record.

O vídeo apresenta bons momentos de Hebe Camargo na Record. Lá pelos anos sessenta e setenta, a grande apresentadora, que hoje nos deixa, também cantava, participava de programas humorísticos e até novela. Realmente uma grande perda para a televisão brasileira.



Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Lupicínio Rodrigues. Uma história em cada música.


Curiosidades da Música Popular Brasileira.

Eu não tenho nada com o ambiente artístico brasileiro. Eu não sou músico, não sou compositor, não sou cantor, não sou nada. Eu sou boêmio”

Foi com essas palavras que o compositor Lupicínio Rodrigues se definiu em uma entrevista ao jornal "O Pasquim" , realizada nos anos 70 (Edição N.I 225 - 23 a 29-10-73). A declaração está em parte correta. Como cantor  não era dos melhores - a voz era pequena e limitada, mas como compositor, foi um dos melhores do Brasil.  Portanto, há de se atribuir a auto-avaliação ao excesso de modéstia do gaucho. Realmente, ele era boêmio e a vida de boêmia lhe propiciou os argumentos de muitas das suas composições.Talvez esteja aí o elo para seu orgulho em se confessar apenas um homem da noite. Foram vários casos amorosos seguidos de desilusões que se transformaram em inspiração para muitas de suas músicas de sucesso.Lupicínio era um mestre em tranformar suas agruras amorosas e fatos do cotidiano em belas música. Sobre esse assunto ele declarou na mesma entrevista:

Meu camarada, eu realmente tive muitas namoradas na minha vida. Umas me fizeram bem, outras me fizeram mal. As que me fizeram mal foram as que mais dinheiro me deram”- disse, se referindo à inspiração para as músicas -“porque as que me fizeram bem eu esqueci”. Complementou.

A mulata Iná foi  foi seu primeiro amor e a primeira desilusão. Ele a conheceu quando tinha apenas 17 anos e, aos 22, ao ser abandonado, compôs "Nervos de Aço”. Jairo Severiano e Zuza Homem de Melo, no livro “A Canção no Tempo” esclarece a razão do abandono: “o poeta prometia, mas não se decidia a casar...”. Para Iná, o gaucho escreveu também "Zé Ponte", "Xote da Felicidade" e outras que não cita na entrevista.

A música "Vingança" foi outro desses casos baseado em fato real. A mulher, uma carioca, chamada Mercedes, viveu com o compositor por seis anos e depois tentou traí-lo com um garoto de 16 ou 17 anos que era seu empregado. Alertado pelo garoto sobre a tentativa de traição, Lupicínio abandonou a moça e empreendeu sua “vingança” poética. Indagado sobre como veio a inspiração, o compositor declarou:

Era época do carnaval, ela endoidou. Botou um “Dominó". "Dominó” é aquela fantasia preta, que cobre tudo. No carnaval, feito louca foi me procurar. Uma certa madrugada, ela, num fogo danado - parece que deu fome - entrou num bar onde a gente costumava comer. Foi obrigada a tirar o "Dominó” pra comer, e o pessoal a reconheceu. Perguntaram - “Ué, Carioca, que você está fazendo aqui a essa hora”? Cadê o Lupi?" Ela sozinha.” E continuou: “Ai ela começou a chorar. Eu estava num restaurante do outro lado. Uns amigos chegaram e me disseram: encontramos a Carioca vestida de "Dominó”, num fogo tremendo. Começou a chorar e perguntar por ti. O que que houve, vocês estão brigados?" Aí foi que eu fiz o "Vingança". Na mesma hora comecei, saiu (canta) "Gostei tanto, tanto, quando me contaram ... ". 

Tempos depois, em uma crônica escrita para o jornal última Hora, em 1963, justificou a dureza dos versos: “nunca se está livre de ter, num momento de rancor, algum desejo de vingança”. 

Existe muitas outras histórias para explicar outras músicas do nosso Rei da Dor de Cotovelo. “Se Acaso você Chegasse” um grande sucesso,composto em parceria com Felisberto Martins, em 1936, é outro caso de música baseada em um fato real, tendo como protagonista o artista e um amigo chamado Heitor Barros, de quem havia tomado a namorada, mas não queria perder a amizade. Também tem a história de "Esses moços", mas isso já e assunto para outro post.


Comento: Lupicínio Rodrigues (Porto Alegre, 16 de setembro de 1914 — Porto Alegre, 27 de agosto de 1974) era o quarto de 21 filhos. Um raro caso de sucesso fora do eixo Rio São Paulo. Nunca deixou sua Porto Alegre querida. Proprietário de restaurantes, costumava receber amigos e artistas, como Jamelão, para canjas nas intermináveis madrugadas frias da capital do Rio Grande do Sul. Aos 12 anos, já fazia composição para os blocos carnavalescos de sua cidade. O grande compositor confessava que começou a cantar, lá pelo início da década de 1930, imitando Mário Reis. Declarou, certa vez, que o compositor Jourbert De Carvalho era o seu “professor de versos”

Da lavra de Lupicínio saíram versos que ficaram eternos na música brasileira. Quem não se lembra de: “Se eles julgam que o futuro / só ao amor dessa vida conduz / saibam que deixam o céu por ser escuro / e vão ao inferno à procura da luz" ou “Ela nasceu com o destino da lua / pra todos que andam na rua / não vai viver só pra mim" e “É melhor brigar junto do que chorar separado”. Admirador de Jamelão, seu interprete preferido, foi gravado por um incontável número de intérpretes de peso.

Outra curiosidade sobre Lupicínio. São dele os conhecidos versos e a melodia do Hino do Grêmio de Porto Alegre: "Até a pé nos iremos / para o que der e vier. Mas o certo é que nós estaremos com o Grêmio onde o Grêmio estiver”.

Vingança



Nervos de Aço



Zé Ponte (com Nina Wirtti e Yamandu Costa)


Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...