sábado, 8 de maio de 2010

Vinte Anos sem a divina Elizeth Cardoso.

No dia 07 de maio de 1990, o Brasil perdia Elizeth Cardoso. Haroldo Barbosa, certa vez, a chamou de “A Divina”, título que a acompanharia para sempre, devido a sua voz de contralto, uma das mais belas da história da MPB.

Elizeth Moreira Cardoso nasceu no Rio de Janeiro, RJ, em Francisco Xavier, perto do morro de Mangueira em 16 de Julho de 1920. Seu pai era seresteiro e a mão gostava de cantar, o que influenciou o surgimento de um símbolo do ecletismo da música brasileira. Cantou desde os chamados sambas-canção tradicionais à bossa nova, passando por músicas de carnaval, choro, sambas de morro e até músicas clássicas.

Gravou mais de 50 discos, onde se destaca o LP Canção do amor demais, lançado em 1958, totalmente composto com músicas da dupla Tom Jobim e Vinicius de Moraes e uma participação especial de João Gilberto, então um desconhecido músico de 31 anos de idade, acompanhando o clássico “Chega de Saudade” e “outra Vez”. Ali se registrava pela primeira vez, comercialmente, a famosa batida de violão que iria revolucionar a música brasileira, a batida de um novo estilo de samba cheio de novidades na harmonia: a Bossa Nova.

Os ensaios iniciais para gravação do disco foram realizados na Rua Nascimento e Silva, 107, Ipanema, o endereço do famoso apartamento de Tom Jobim, berço de grandes obras da MPB. Sobre o período, anos depois, um saudoso Vinicius de Moraes, em parceria com Toquinho comporia “Carta ao Tom 74”, onde, dentre outras recordações dos tempos da bossa nova, fazia referências à gravação do disco de Elizeth. Um trecho da música dizia:

“Rua Nascimento Silva, cento e sete você ensinando prá Elizeth as canções de Canção do amor demais. Lembra que tempo feliz, ai que saudade, Ipanema era só felicidade...”

Outro disco memorável da Divina foi o álbum de 1968, onde ela registra um recital que perpassou 30 anos de música brasileira com obras de Pixinguinha, Noel Rosa, Tom Jobim, Vinicius de Moraes e Chico Buarque, dentre outros grandes nomes. O Disco foi uma produção do Museu da Imagem e do Som e também contou com a participação do Zimbo Trio, Jacob do Bandolim e o Conjunto Época de Ouro.

Elizeth Cardoso morreu aos 69 anos, vítima de câncer.




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2 comentários:

  1. Oi,
    Achei esse blog enquanto procurava sobre Elizete Cardoso.
    Muito bacana a postagem!
    Abraços,
    Lu Oliveira
    www.luoliveiraoficial.com.br

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  2. Com o tempo a voz da Divina foi ganhando um registro de contralto mesmo.

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