sábado, 29 de agosto de 2009

Novo Código de Ética Médica - Médico não é comerciante.

O Conselho Federal de Medicina irá vetar a participação de médicos em consórcios para realização de procedimentos médicos, como cirurgia plástica, ortopedia e reprodução assistida dentre outras especialidades.

A decisão está no novo Código de Ética Médica do CFM e é uma tentativa de coibir o verdadeiro comércio que se transformou algumas unidades médicas, num conflito de interesses que só prejudica o paciente.

Comento: A decisão do CFM veio em boa hora. Entrei, certa vez, em uma clínica de ortopedia e me surpreendi ao ver uma área reservada para exposição e vendas de produtos ortopédicos, como: tornozeleiras, bengalas, imobilizadores,etc. Fica difícil imaginar isenção de um médico para indicar outro produto que não o seu, mesmo de forma velada, existe a possibilidade de induzimento.

Outra chaga que precisa ser combatida e parece não ter sido incluída no Código de Ética é o costume de alguns médicos mais famosos em discriminar usuários de planos de saúde. Não passa pela minha cabeça, em hipótese alguma, combater o poder discricionário do médico em atender apenas pacientes particulares - não é o caso. O que me refiro é a certo tipo de esperteza utilizado por médicos mais procurados, o procedimento é padrão: a atendente pergunta candidamente se o atendimento é particular ou plano de saúde, no primeiro caso a consulta é marcada para os próximos dias, no segundo em um longo prazo. Já vi casos de até seis meses.

O conflito de interesse em tela não está na opção em atender ou não, paciente de plano de saúde, e sim, no artifício em atendê-lo de acordo com a conveniência da agenda do médico, ou seja, a velha mania de se levar vantagem em tudo. O profissional de saúde, neste caso, sempre leva vantagem, recebe a polpuda consulta particular e, por outro lado, fica à vontade para antecipar a consulta do usuário do plano, caso haja desistência de um paciente particular.

Hipócrates, onde se encontre, deve ficar envergonhado.
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2 comentários:

  1. Lembrando que essa atitude de favorecimento aos clientes "particulares" é crime e fere o código de defesa do consumidor.

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